terça-feira, 31 de julho de 2012

Momo, de Michael Ende - Opinião


Momo, de Michael Ende

Momo é uma criança de cento e tal anos que aparece um dia na cidade, junto ao anfiteatro. Uma criança abandonada que tem, no entanto, algo especial: ela sabe ouvir. Simplesmente ouvir o que as pessoas têm para falar.
Graças a esta particularidade Momo reúne junto a si um número interminável de amigos, de todas as idades. As crianças gostam da maneira como ela brinca com elas, e os adultos da maneira como ouve. Quando falam com ela parece que as ideias fluem mais depressa e conseguem encontrar logo solução para os seus problemas.
Mas um dia surgem problemas mais sérios. Aparecem uns senhores cinzentos em quem ninguém repara. A cidade começa a ficar escura. Perde a alegria à medida que os habitantes começam a trabalhar cada vez mais, para poupar tempo, dizem.
Os amigos de Momo começam a não aparecer. Têm mais coisas em que pensar. E um a um todos se vão embora e Momo fica sozinha.
Até que conhece Cassiopeia, a tartaruga, e através dela o Mestre Hora. Ele vai-lhe explicar o mistério do Tempo. E ensina-lhe o mais importante: como derrotar os homens cinzentos.

Há muito tempo que um livro não me deixava tão presa quanto este. A sensação de não querer largar o livro luta com a vontade crescente de ver o fim. O livro é de 1973 mas a última edição portuguesa, pela Presença, data de 2005. Desde então não saíram mais edições. Posso adiantar que contactei inúmeros alfarrabistas e livrarias. Inclusive a Presença. E ninguém consegue arranjar o livro.
Momo encanta-nos desde o início. Quando menciona a sua idade depressa é explicado que Momo não sabe os números e as letras. Mas mesmo essa explicação não retira a magia de Momo.
O livro está escrito de uma maneira fascinante. Muito simples, bastante descritiva. Não admira por isso que seja um livro juvenil. Mas, tal como o Principezinho, é um daqueles livros que só enriquece quem o lê, seja adulto ou criança.
A cada página apaixonava-me por uma frase, por um parágrafo, por uma ideia. Em cada personagem eu demorava a leitura para perceber melhor as suas dúvidas, os seus anseios, as suas alegrias. Sentimo-nos quase como Momo, a ouvi-los descrever os seus problemas. Sentimo-nos novamente crianças num mundo que nos maravilha a cada instante.
Tudo corria bem até chegarem os Senhores Cinzentos. Nos seus carros escuros, com as suas gabardines cinzentas, os seus chapéus e os seus charutos. Convencem as pessoas de que ao trabalharem mais poupam tempo. Que o tempo é precioso e não deve ser gasto. Que será um investimento depositá-lo no Banco do Tempo. Sem se aperceberem, os habitantes da cidade começam a trabalhar cada vez mais. Deixam de fazer as coisas que lhes dão prazer para não gastarem tempo inútil. Sem perceberem que são manipulados.
Momo é a única que percebe o que se está a passar. A única que consegue ouvir um homem cinzento e perceber que algo está errado. Mas a partir desse momento Momo torna-se um alvo a abater. E por isso tem de fugir.
O livro não é um conto de fadas nem tem pretensões de o ser. Em cada palavra sobre o tempo revemo-nos e às nossas acções. Vemos o tempo que desperdiçamos com coisas inúteis e que poderíamos ganhar de outra forma. Embora os Senhores Cinzentos não sejam reais a verdade é que hoje em dia todos dependemos deles.
A dada altura o autor diz que “Há um grande segredo, que apesar de tudo é diário. Todas as pessoas participam dele. A maior parte limita-se a aceitá-lo sem o questionar. Esse segredo é o tempo. Há calendários e relógios para o medir, mas pouco significado têm, pois todos sabem que uma única hora pode parecer uma eternidade ou então passar como um instante – consoante aquilo que se vive nela. Porque o tempo é vida. E a vida mora no coração.”
E são frases como esta que nos fazem querer ler mais e mais. Que nos fazem querer conhecer Momo e os seus amigos.
Vai ser o poder de Momo, a sua simplicidade, e a sua forma de ver a vida, a derrotar os Senhores Cinzentos. Porque só as crianças sabem que o tempo é maleável. Só elas mantêm a inocência de saber brincar, de saber viver, de saber maravilhar-se com o mundo que os rodeia.
Momo é um livro daqueles que aquece o coração e a alma. É um livro que não nos abandona mesmo depois de fechado e colocado na estante. É um livro a que agradeço ter aparecido na minha vida. Posso dizer que fiquei mais rica depois de o ter lido.
Tenho esperanças que um dia a Presença volte a reeditar o livro. Ou até mesmo outra editora que lhe pegue. Posso dizer que seria uma história que gostaria de ler a um futuro filho.
Se o conseguirem arranjar, se tiverem amigos que o tenham ou se anda esquecido numa qualquer prateleira, repesquem-no. Levem-no novamente à luz e saboreiem as palavras de Michael Ende. Por Momo… por vós…

“- E quando o meu coração parar de bater? – perguntou Momo.
- Então – retorquiu Mestre Hora – também o tempo parará para ti, criança. Poderia também dizer-se que és tu própria que retrocedes através do tempo, através de todos os teus dias, meses e anos. Passeias-te pela tua vida, até chegares ao grande portão redondo de prata, através do qual entras. Aí, voltas a sair.(…)
- És a morte?(…)
- Se as pessoas soubessem o que é a morte, não mais a temeriam. E se não mais a temessem nunca ninguém lhes poderia roubar o seu tempo de vida.”

terça-feira, 24 de julho de 2012

Divulgação Esfera do Caos


A Vida Repercutida - Uma leitura da poesia de Gastão Cruz, de  Luis Maffei e Pedro Eiras

20 pequenos ensaios sobre poemas de Gastão Cruz.
Uma entrevista com 11 perguntas a Gastão Cruz.
Uma antologia com 31 poemas de Gastão Cruz.

Este livro nasce de leituras, ou uma só leitura. Ano após ano, de um lado e outro do Atlântico, lemos e relemos a poesia densa, intensa, de Gastão Cruz. Até surgir esta tentação: a de ler por escrito, responder, em jeito de ensaio, aproximação.
Antes e depois, a palavra ao poeta: Gastão assina o texto, ou autobiografia, que abre o livro, e responde a uma entrevista, para a qual convidámos onze finas vozes, a alargar a rede de cumplicidades. Terminamos com uma antologia: escolhemos, de vinte livros de Gastão Cruz, trinta e um poemas.


Contos do Nosso Tempo, de Vários

Emoções intensas e diversidade de abordagens, em pequenas histórias para entreter e fazer sonhar.

Em traços livres e desassombrados, esta colectânea alimenta-se da matriz que nos deixaram os Grandes Mestres do Conto: o fulgor narrativo e a essencialidade da linguagem.
“O conto é uma forma literária encantadora”, disse Trindade Coelho, acrescentando: “E o maior assunto, ou o mais complexo, cabe no conto, pela mesma razão que nas proporções delicadas de uma miniatura pode caber, desafogado, um grande quadro.”
Nesta obra, cada autor, cada história, cada conjunto de histórias, assumiu o risco da sua própria liberdade criativa, assim como o desejo de escrever pelo puro prazer de escrever e a vontade de partilhar.


O Transplantado e o Fim|gimento, de José Baptista Coelho

Uma obra poética atípica que procura eliminar a barreira que persiste entre a poesia e outros géneros literários. Escritos num ritmo próximo da prosa, os poemas desta obra remetem o leitor para a simplicidade dos romances clássicos.

Dirigida simultaneamente aos mais comuns amantes da poesia e aos leitores que se iniciam neste género literário, esta obra oferece uma centena de poemas que demonstram uma extrema necessidade de contemplação e de amor aos sentimentos. Com ela, o autor procura demonstrar que a poesia não é um monstro, como alguns a pintam, mas um género apreciável na mesma medida que qualquer outro, conferindo aos seus poemas um ritmo romancista contemplável por qualquer amante da literatura.
Os poemas desta obra são metáforas de amores ao ritmo de relógios de corda com abundâncias de despedida e transplantações de sentimentos. E este autor, poeta, é um fingidor como todos os outros – mas é também, e acima de tudo, humano, e por isso entendível por qualquer mortal.



Solução para a crise nacional e europeia, de Ventura Leite

As causas da crise e os caminhos que deveremos percorrer se a quisermos vencer.

Uma proposta de saída para a crise — inovadora e corajosa, mas também realista e bem fundamentada —, que se destina a motivar os cidadãos e a incentivar os decisores políticos.
Neste livro o leitor encontrará informações, análises e propostas que contribuirão para mudar a sua perspectiva acerca da crise e da atitude a tomar face aos desafios que estão já a moldar o nosso futuro colectivo e que são muitas vezes omitidos ou distorcidos por aqueles que não sabem como interpretar a realidade, ou como mobilizar o país nesta encruzilhada histórica.

“Ventura Leite teve o mérito de alertar para o mau caminho da nossa economia e fê-lo há mais de três anos, enquanto deputado do PS, com um discurso sério, ponderado e informado… mas contrário ao ar do tempo. Neste livro analisa as causas nacionais e internacionais da crise e faz propostas ousadas… Esta é uma obra desafiante e polémica, que merece uma leitura muito atenta...” Henrique Monteiro, Jornalista

“Nesta obra, que não poderia ser mais oportuna, Ventura Leite apura e aprofunda ainda mais o seu sentido crítico e a sua independência de pensamento. Se em Abril de 2009 teve a coragem de denunciar em pleno Parlamento a desastrosa trajectória da dívida pública irresponsavelmente acumulada pelo Governo do seu partido, em 2012 analisa, sem preconceitos, as raízes da crise da Zona Euro e as tarefas inadiáveis que, em qualquer dos dolorosos cenários possíveis, cabem à iniciativa dos portugueses e das nossas políticas públicas.” Viriato Soromenho-Marques, Professor catedrático da Universidade de Lisboa



Da origem popular do poder ao direito de resistência, de Pedro Calafate

Doutrinas políticas no século XVII em Portugal

O que disseram os mais importantes pensadores portugueses da filosofia política de Seiscentos acerca da finalidade do poder, da ética da governação e do direito à resistência activa perante a injustiça?
Dedicada às doutrinas políticas portuguesas do século XVII, esta obra confronta o leitor actual com teses muitas vezes surpreendentes e inusitadas sobre a origem democrática ou popular do poder político, a fundamentação ética da política, o direito de resistência activa contra a tirania e a injustiça, e as relações entre a Igreja e o Estado. Os autores analisados são de Seiscentos, mas as suas ideias revelam, por vezes, uma espantosa actualidade neste início do século XXI e muito em particular neste momento de gigantescos desafios que agora vivemos — talvez porque os pensadores que este livro convoca escreveram numa época também ela marcada por enormes desafios: a edificação e conservação do império e a restauração da independência nacional, perdida em 1580.

Novidades Presença


Acabem Com Esta Crise, Já!, de Paul R. Krugman

Acabem com Esta Crise Já! é um autêntico «apelo às armas» do Nobel de Economia e autor bestseller Paul Krugman, perante a profunda recessão que estamos a viver e que se prolonga já há mais de quatro anos. No entanto, como o autor refere nesta obra brilhantemente fundamentada, «As nações ricas em recursos, talentos e conhecimento, que possuem todas as condições para gerar prosperidade e um padrão de vida decente para todos, permanecem num estado que acarreta um intenso sofrimento para os seus cidadãos».
Como é que chegámos a este ponto? Como é que ficámos atolados no que agora só pode ser considerado como uma das maiores depressões desde 1929? E acima de tudo, como podemos libertar-nos dela? Krugman responde a estas perguntas com a lucidez e perspicácia tão características dele. A mensagem que aqui transmite é sem dúvida poderosa para qualquer pessoa que tenha suportado estes últimos, penosos anos: uma recuperação rápida e forte está apenas a um passo, se os nossos líderes encontrarem a "clareza intelectual e vontade política" para acabar com esta depressão agora.


Soluções Espirituais - Respostas Para os Maiores Desafios da Vida, de Deepack Chopra

Qualquer que seja a nossa situação profissional, familiar, financeira ou afectiva, todos nos deparamos com situações que exigem soluções adequadas. O que Deepak Chopra nos oferece em Soluções Espirituais é uma orientação espiritual que promove o encontro com o nosso eu verdadeiro, e quando esse maravilhoso encontro tem lugar, passamos a encarar os nossos problemas como oportunidades criativas de crescimento espiritual. Deepak Chopra centra-se nas quatro principais áreas da vida – relacionamentos, saúde e bem-estar, sucesso e crescimento pessoal - e mostra-nos como alcançar o estado de expansão da consciência, o estado em que não existem problemas, só soluções.


O Vento dos Outros, de Raquel Ochoa

Viajar, à semelhança de escrever ou guerrear, é um frívolo segundo de desabafo; é uma meditação e um descanso. É viver de ideias novas, porque nunca estancam. Uma viagem é uma obra por fazer. É como uma vida inteira, em ponto pequeno. Viajar é ser um pouco vento, participar da sua magia de forma microscópica.
O Vento dos Outros é uma apaixonante viagem pela América do sul. A cada passo, a vida inteira.

«Nas primeiras horas estava sonolenta e distraída, mal olhava lá para fora. Por isso, quando me apercebi, entendi com surpresa que os Andes se foram dissolvendo, tornando-se rochosos, castanho-claros e, subitamente, transformaram-se em areia. Primeiro a areia subia os montes, numa escalada invasiva, como térmitas silenciosas que tudo querem devorar. Mais adiante passavam a formar dunas, com o traço perfeito das montanhas. De um momento para o outro estava rodeada por elas, perfeitos montes mortos que a chuva abandonou há muito tempo e que, se têm vida, não se manifesta através da mais pequena tira de erva. Mais ainda, tentavam invadir a estrada que as rodas dos veículos pesados expeliam para fora. Chegara ao deserto...»


O Clube dos Viajantes Imaginários, de Ulysses Moore

Em Kilmore Cove é o dia mais longo. Enquanto a chuva envolve todas as coisas num véu cinzento, a quietude da baía é quebrada por trovões, relâmpagos e estampidos estrondosos. Mas não se trata de uma tempestade: Kilmore está a ser impiedosamente atacado pelo Mary Grey, o lendário navio do capitão Spencer. Entretanto, os gémeos Covenant, Julia e Jason vão ter de enfrentar sozinhos o mais terrível dos inimigos, sem a ajuda de Ulysses Moore...






Senhor Fixe, de Roger Hargreaves

O João Rodrigues não se sentia muito bem. Estava doente na cama e não podia sair de casa. Mas, de repente, o Sr. Fixe entrou pela janela e nem adivinham o que aconteceu. O dia que estava a ser tão aborrecido passou a ser um dos mais fixes de sempre.

«Senhoras e Senhores» é uma colecção que poderá dirigir-se tanto a crianças a partir dos quatro anos, como a adultos, que procurem um gift book, simbólico e humorístico, que retrate pessoas ou situações do quotidiano em traços gerais e caricaturados.


Senhoras Gémeas, de Roger Hargreaves
 
As Senhoras Gémeas são iguais como duas gotas de água e vivem numa terra muito engraçada chamada Duolândia. Um dia, o Sr. Narigudo, sempre curioso, decide visitar Duolândia... e descobre que ali a diversão é sempre a dobrar.

«Senhoras e Senhores» é uma colecção que poderá dirigir-se tanto a crianças a partir dos quatro anos, como a adultos, que procurem um gift book, simbólico e humorístico, que retrate pessoas ou situações do quotidiano em traços gerais e caricaturados.

 

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O Diário da Minha Melhor Amiga - Asa


O Diário da Minha Melhor Amiga, de Jill Abramson

Jill Abramson, diretora editorial do jornal The New York Times, viu a sua vida mudar drasticamente com a morte do seu cão, Buddy, seguida de um dramático acidente e uma depressão.
Mas o marido, os filhos e os amigos sabiam algo que ela teimava em negar: o seu amor pelos animais seria a forma mais rápida e feliz de ultrapassar aquela fase negra da sua vida. E não podiam estar mais certos.
Neste terno e comovente relato, Jill partilha os momentos mais intensos e reveladores dessa relação que lhe permitiu voltar a ter fé no futuro e alegria de viver. Um história Real!


A Autora:
Jill Abramson é diretora editorial do The New York Times e escritora galardoada. Indefectível adoradora de animais, é desde sempre fascinada pela complexa relação que une pessoas e animais. Vive com o marido e com a cadelinha Scout em Nova Iorque e no Connecticut.


Asa