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segunda-feira, 26 de agosto de 2019

O Nascimento de Vénus, de Sarah Dunant - Opinião


O Nascimento de Vénus, de Sarah Dunant

Edições Asa



Alessandra Cecchi tem quase quinze anos quando o pai, um próspero mercador de tecidos, contrata um jovem pintor para pintar um fresco na capela do palazzo da família. Alessandra é uma filha da Renascença, tem uma mente precoce e um temperamento artístico… e rapidamente fica inebriada pelo génio do pintor. 
Muitos anos depois, a irmã Lucrezia morre no convento onde passou grande parte da sua vida. Perplexas, as outras freiras observam a estranha serpente tatuada no seu corpo. É que, antes de entrar para o convento, a irmã Lucrezia era Alessandra. Jovem, bela e inteligente, ela viveu o esplendor e luxo da Florença renascentista, conviveu com os ricos e poderosos, criou, amou, transgrediu... Como foi ela parar àquele convento? O que significa a tatuagem na sua pele? Quais foram afinal as causas da sua morte? Romance de amor, mistério e arte, O Nascimento de Vénus dá-nos a conhecer um irreverente elenco de mulheres inesquecíveis, que nos abrem as portas da Florença renascentista, um dos mais formidáveis centros de cultura e arte da história da humanidade.


Já tinha este livrinho aqui em casa há algum tempo e ainda não lhe tinha pegado. Erro crasso.
Este livro arrebatou-me desde o início. A personagem principal, Alessandra, é muito interessante. O seu feitio peculiar, diferente das raparigas da época, conquista. E o seu amor à arte, aos livros e ensinamentos pagãos, ao pensamento em si, transporta-nos para aquela Florença do século XV.
A história é contada na primeira pessoa. É de Alessandra que ouvimos os passos dos que a rodeiam, as suas acções, as suas conquistas e as suas decepções. As invasões de Florença pela França. A queda dos Médicis e a ascensão do medo religioso e da perseguição quase inquisidora. Tudo isto Alessandra nos mostra através dos seus olhos, dos seus ouvidos, dos seus passos e das suas escolhas.
E honestamente, à medida que vamos lendo sentimos que tudo irá rodar à volta do estranho pintor que o pai de Alessandra trouxe para casa.
A escritora consegue transportar-nos para o local. Consegue descrever cheiros e cores que ficam gravados na nossa memória, como se nós próprios os tivéssemos visto e cheirado. É como se, durante o tempo que lemos o livro, estivéssemos ali a viver com as personagens no meio de Florença, a sentir a vibração da cidade.
E quando pensamos que temos a linha da história percebida eis que, como aranha a tecer a sua teia, somos desviados para um rumo ligeiramente diferente. Fazendo com que a história ganhe um novo fôlego e agarrando-nos mais ainda às páginas do livro.
Foi uma boa surpresa. De tal maneira que, confesso, está-me a ser difícil desprender da história do livro e sentir-me livre para começar outro. Achava que ia ser somente mais um entretêm de verão mas foi bem mais que isso. Agora só lamento o tempo que demorei a pegar nele.
Vou ficar atenta a mais livros da autora, sem dúvida.

Recomendo a 100%.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Nunca Seduzas um Escocês, de Maya Banks - Opinião



Nunca Seduzas um Escocês, de Maya Banks 
Saída de Emergência


Eveline Armstrong é amada e protegida ferozmente pelo seu poderoso clã, mas é considerada "demente" por quem não pertence ao seu meio. Bonita, sobrenatural, com um olhar intenso, ela nunca falou. Ninguém, nem mesmo a sua família, sabe que ela não ouve. Eveline aprendeu sozinha a ler lábios e, feliz por viver com a sua família, nunca se importou que o mundo a visse como louca. Contudo, quando um casamento arranjado com um clã rival torna Graeme Montgomery seu marido, ela aceita cumprir o seu dever - sem estar preparada para os prazeres que se avizinhavam. Graeme é um guerreiro robusto com uma voz tão grave e poderosa que ela consegue ouvi-la, e umas mãos e beijos tão ternos e habilidosos que despertam as paixões mais profundas em Eveline. Graeme está intrigado com a sua noiva, cujos lábios silenciosos são como um fruto maduro de tentação e cujos olhos vivos e sagazes conseguem ver a sua alma. Assim que a intimidade entre ambos se aprofunda, ele descobre o segredo dela. E quando a rivalidade entre clãs ameaça a mulher que ele começara a apreciar, o guerreiro escocês moverá céu e terra para a salvar. Eveline despertou o seu coração para a melodia encantadora de um amor raro e mágico.

Na praia há que ler livrinhos leves. Que cheirem a romance, com leitura fácil e que não obrigue a puxar muito pelos neurónios. Na busca de um livrinho assim este Nunca Seduzas um Escocês caiu-me no colo.
Escrita simples, personagens pouco complexas. Leve como se queria. Uma história “bonitinha”. Sim, apenas “bonitinha”. Falta-lhe uma elaboração maior das personagens. A história parece que se passa em duas semanas tal a cadência rápida dos acontecimentos.
Eveline é, sem dúvida, uma personagem interessante. Devido à sua história, ao segredo que carrega. Mas é tudo tão rápido. Mudanças de opiniões, paixões…
Pensei que me encantaria com as paisagens escocesas, mas essas são quase inexistentes. E até agora ainda não consegui descobrir bem qual a explicação do título. Não consigo fazer um paralelismo convincente entre o título e a história.
Uma leitura leve, morna, boa realmente para os dias de praia entre um mergulho e outro.
E mais nada que isso….

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Hex Hall, de Rachel Hawkins - Opinião

Hex Hall, de Rachel Hawkins

Um bilhete só de ida para um colégio interno perdido nos pântanos do Louisiana era talvez a última coisa que Sophie Mercer esperava receber pelos seus dezasseis anos. Mas Sophie não é uma adolescente igual às outras. Sophie é uma feiticeira e, tal como os outros prodigium, feiticeiros, fadas, lobisomens e vampiros, Sophie não pode frequentar uma escola normal. O que Sophie esperava ainda menos era ser companheira de quarto de Jenna, a única vampira da escola, e ver-se enredada numa trama para descobrir quem anda a assassinar os alunos da escola ao mesmo tempo que tem que lidar com os seus novos poderes, a descoberta da importância do seu Pai na hierarquia dos feiticeiros e a sua paixão pelo namorado da sua mais recente inimiga.

Tinha alguma curiosidade sobre este livro. Uma das coisas que me chamava a atenção era a capa. Infelizmente as novas edições mudaram de capa. A inicial era muito mais original e demonstrava a dualidade presente na história do livro (a capa inicial ilustra esta opinião).
Sophie é-nos apresentada de uma forma bastante interessante ao tentar protagonizar um feitiço de amor que não tem os resultados esperados. Aos poucos somos apresentados à história de uma rapariga que afinal é bruxa mas que deu demasiado nas vistas e por isso é mandada para a escola de Hecate Hall, o lugar para onde os seres prodigiosos que fazem asneira no mundo real são enviados de maneira a aprenderem a ser mais discretos.
Aqui o livro adquire os contornos claramente adolescentes dos livros da moda. O tema não foge a isso: uma escola de seres mutáveis, prodigiosos e cheios de poder.
A autora vai-nos apresentando as várias personagens, as histórias por trás de Hecate Hall, conhecido como Hex Hall, os campos, toda a história que envolve estes seres diferentes. A história dos membros do L’Occhio di Dio faz-nos lembrar sociedades secretas dos Illuminati.
Mas para Sophie nem tudo é um mar de rosas. Colegas começam a aparecer desfalecidas, sem gota de sangue no corpo, e Jenna, a sua única amiga, e vampira, é acusada dos acontecimentos. A verdade, contudo, é que algo muito mais poderoso e impensável assombra os campos de Hex Hall e com ele traz a verdadeira história da família de Sophie.
Uma história leve e fácil de ler já que é dirigida, maioritariamente, a adolescentes. Não acrescenta nada de novo mas consegue ser interessante e, em algumas partes, agarrar o leitor à história.

O meu pormenor favorito? Tornar Lord Byron professor na escola, mantendo a sua fama de vampiro, claro.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

A Encomendação das Almas, de João Aguiar - Opinião

A Encomendação das Almas, de João Aguiar

Num mundo rural em decomposição acelerada, minado pela poluição física e mental, pelos media e pelas arremetidas da "Aldeia Global", um homem de setenta anos e um adolescente aliam-se para construir um pequeno universo privado, fantástico, parado no tempo, onde vivem os velhos ritos e as superstições do passado.
Porém, esse universo, frágil e vulnerável, não poderá resistir durante muito tempo à sociedade hostil que o cerca. Então, é preciso encontrar uma saída...

História de uma amizade e de uma revolta, A Encomendação das Almas é também um retrato-caricatura do nosso tempo. Com ele, João Aguiar abre uma nova frente no seu trabalho de romancista e, renovando-se, confirma que é hoje um dos mais versáteis narradores portugueses.

Sempre gostei da escrita de João Aguiar. Gosto da maneira como ele transforma mitos e histórias em algo muito presente em nós. É um grande contador de histórias e é sem dúvida um autor a quem sabe sempre bem voltar.
Devido a outras actividades “extra-curriculares” necessitei de ler este livro que ainda não conhecia. Sempre ouvira falar da Encomendação das Almas mas, sinceramente, nunca me tinha debruçado sobre o livro e a sua temática. Foi uma surpresa.
A história é contada de uma maneira que considerei bastante “doce”. É-nos apresentado D. Gonçalo Nuno, um homem de idade, rico, dono de empresas, casas e parente afastado de uns condes. Nem o dinheiro de D. Gonçalo o “safou” das ideias da família: interná-lo num “asilo para velhos”.
Farto da vida que levava, dos afectos comprados com dinheiro e da indiferença da amantíssima esposa, D. Gonçalo decide partir de casa e refugiar-se na velha casa de família em Poiais da Santa Cruz.
É nesta pequena aldeia que conhecemos a segunda personagem, Zé da Pinta. O rapaz, quase sempre chamado de “o apoucadinho”, é considerado um pouco parvo, lento das ideias… idiota. No entanto, é uma personagem fascinante. Pouco fala mas, segundo o autor, os seus olhos dizem muito. São capazes de calar uma multidão.
Zé da Pinta foi recambiado pelos pais para casa de um tio em Poiais de Santa Cruz, por estes já não saberem o que fazer com o rapaz. O tio aceitou de bom grado a ajuda que Zé da Pinta podia dar na taberna e na mercearia e levou-o para casa. Os dias do rapaz eram passados entre a taberna, a mercearia, a cama da tia e as vezes que fugia para o campo para olhar o céu. Tinha um grande fascínio pelo céu, principalmente por tempestades.
É nesta aldeia isolada do mundo que as duas personagens se conhecem. D. Gonçalo fugido dos filhos, Zé da Pinta numa busca incessante de algo que nem ele próprio sabe. A diferença de idades, de estatuto social e de famílias não é importante nesta relação. Apenas as ideias, as dúvidas, a aceitação de um pelo outro.
E aos poucos vão entrando num mundo só dos dois. Um mundo onde existem mouras encantadas, lobisomens e almas que precisam de ser encaminhadas para o além. Com isso esquecem o mundo lá fora, as brigas familiares, o dinheiro, as injustiças. Mas o mundo lá fora não os quer esquecer. Os filhos de D. Gonçalo querem o que é deles por direito, ou o que assim acham. O tio de Zé da Pinta pondera mandar o rapaz para os pais depois de o mesmo dar nas vistas na aldeia. É necessário que a amizade destes dois “fugitivos do mundo” seja forte o suficiente para ultrapassar todos os problemas. E a resposta pode estar na biblioteca de D. Gonçalo. No livro que explica como nascem os Seculares das Nuvens.
Tal como referi acho a maneira como esta história é descrita muito doce. As ideias de Zé da Pinta fazem-no um sonhador. O crescente interesse de D. Gonçalo pelos mitos e pelo rapaz demonstram alguém que pode estar pela primeira vez a estabelecer uma relação de carinho com alguém. São duas pessoas que fugiram da aldeia global, dos shoppings e hipermercados. E que são perseguidos por eles e que encontram na sua amizade a única maneira de sobreviverem íntegros às suas ideias.
O fim não era o que esperava, confesso. Mas mesmo sendo algo impensável consegue mesmo assim ser doce, já que o mesmo representa a libertação das personagens e termina como um conto de fadas cheio de possibilidades e sonhos.

Recomendo o livro a quem gosta do autor, a quem não o conhece ou a todos os que se sintam curiosos com o título. Um livro a manter debaixo da “asa”.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

As Cinquenta Sombras de Grey - Opinião


As Cinquenta Sombras de Grey, de E. L. James

“De um dia para o outro, As Cinquenta Sombras de Grey tornou-se sensação entre o círculo das mães jovens e atraentes e chegou ao top dos bestsellers do New York Times. Este romance erótico pôs as gravatas cinzentas no primeiro lugar da lista de compras de muitas esposas, na esperança de que os respectivos maridos viessem a imitar a personalidade obsessiva, imperiosa e intimidante de Grey, com muitas a admitirem que o livro lhes despertou um desejo intenso por sexo com os companheiros.”
The Daily Mail


Anastasia Steele é uma estudante de literatura jovem e inexperiente. Christian Grey é o temido e carismático presidente de uma poderosa corporação internacional. O destino levará Anastasia a entrevistá-lo. No ambiente sofisticado e luxuoso de um arranha-céus, ela descobre-se estranhamente atraída por aquele homem enigmático, cuja beleza corta a respiração. Voltarão a encontrar-se dias mais tarde, por acaso ou talvez não. O implacável homem de negócios revela-se incapaz de resistir ao discreto charme da estudante. Ele quer desesperadamente possuí-la. Mas apenas se ela aceitar os bizarros termos que ele propõe... Anastasia hesita. Todo aquele poder a assusta - os aviões privados, os carros topo de gama, os guarda-costas... Mas teme ainda mais as peculiares inclinações de Grey, as suas exigências, a obsessão pelo controlo… E uma voracidade sexual que parece não conhecer quaisquer limites. Dividida entre os negros segredos que ele esconde e o seu próprio e irreprimível desejo, Anastasia vacila. Estará pronta para ceder? Para entrar finalmente no Quarto Vermelho da Dor? As Cinquenta Sombras de Grey é o primeiro volume da trilogia de E. L. James que é já o maior fenómeno literário do ano em todos os países onde foi publicado.

Quando ouvi falar deste livro já estava na moda. Já toda a gente falava nele. Mas, não sei bem porquê ou como, ele tinha-me passado completamente ao lado.
Contudo, tanto alarido à volta do livro fez-me procurar informação. Encontrei inúmeras críticas positivas e inúmeras negativas. Apenas serviram para aguçar a minha curiosidade.
Confesso, sou curiosa! A curiosidade é, talvez, um dos meus piores defeitos. E, em certos casos, sou incapaz de lhe resistir. Este livro foi um caso desses…
Depois de ler tanto sobre As Cinquenta Sombras de Grey achei melhor tirar as minhas próprias conclusões. Convenhamos, o livro é um best seller graças à máquina da propaganda. Falem bem ou mal, mas falem!
Os primeiros capítulos conquistaram-me. Acho que é fácil afeiçoar-nos a Anastasia, à sua ligeireza, timidez e descoordenação motora. E Christian Grey também encanta na sua posição de líder e dono do poder, e pelo mistério que o envolve. Mas aos poucos fui-me perdendo na história. O que inicialmente me atraiu para uma leitura desenfreada começou, aos poucos, a perder-se no meio de tanto sexo.
O sexo não choca. Não a quem esteja habituado a livros de Nora Roberts ou Madeline Hunter. É bastante descritivo e tirando a linguagem é, até, apelativo. Podemos excetuar as descrições mais sado. Interessantes, para quem goste…
No entanto a cerca de 30 páginas do fim a autora soube-me “agarrar” novamente. Como? Pela curiosidade. Deixou-me pendurada à espera do segundo livro. Não pela belíssima história ou pela qualidade do livro mas simplesmente pela maldita curiosidade de quem detesta fins em aberto ou histórias não finalizadas.
No fundo, ok.. bem lá no fundo, se filtrarmos o livro e tirarmos o sexo em excesso e a linguagem grosseira e ordinária, conseguimos ficar com o leve despertar de uma história que, noutra situação e muito bem trabalhada, poderia trazer algo bom, algo novo, algo interessante.
Não é uma obra prima, e penso que não o pretende ser. Mas entretém. E se sofrerem desse bicho que é a curiosidade vão querer tirar a vossa própria opinião. Eu cá ficarei à espera da continuação para, simplesmente, ver no que “isto” vai dar.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Magia ao Vento - Opinião


Magia ao Vento, de Christine Feehan

«Christine Feehan é a rainha da história do amor sobrenatural.»
New York Times

A Sarah voltou para casa. Desde que Damon Wilder procurou refúgio em Sea Haven ouve-se o mesmo boato passar de boca em boca de quase todos os habitantes da pacata vila costeira. Até o vento parece murmurar o nome dela - um devaneio tão sugestivo que leva o curioso Damon até à casa da falésia de Sarah, onde procura o seu abrigo.
Mas Damon não chegou sozinho. Foi seguido por alguém até Sea Haven. Alguém que rodeia as sombras da casa Drake, onde Sarah esconde os seus próprios segredos. O perigo ameaça os dois - tal como o desejo mais premente que alguma vez sentiram - e está a apenas um sussurro de distância.

Este livro surge nas minhas mãos graças à partilha do Bookcrossing. Na altura inscrevi-me no ring (partilha) por achar graça ao nome. Quem me conhece sabe que não resisto a um titulo destes…
As expectativas não eram muitas. Um pequeno livro que me parecia mais um destes romances da moda. Afinal enganei-me. E ainda bem!
Magia ao Vento leva-nos até Sea Heaven, uma pequena aldeia onde Damon Wilder quer passar despercebido. Damon traz preso a si um passado não muito longínquo que lhe enegreceu o coração.
Mas certa manhã a aldeia acorda com o sussurro de que Sarah voltou para casa. A casa da falésia, que sempre encantara Damon, volta novamente à vida à medida que as irmãs Drake retornam a casa. Com elas trazem os elementos (fogo, terra, água e ar), sussurros do vento, magia e uma velha profecia que pode envolver Damon.
E Damon vê em Sarah algo que nunca vira e de que nunca se achara ser capaz: amor.
Entre sombras negras, ameaças de perigo e muita confiança Sarah e Damon terão de ser capazes de lutar pela vida e pelo que sentem.
Um livro leve e muito fácil de ler em poucas horas. Gostei bastante da personagem de Sarah e das irmãs. As suas histórias e os seus pequenos segredos. Aos poucos apaixonamo-nos por cada uma delas. E, em certas alturas, o livro consegue transportar-nos para Sea Heaven e juntar a nossa voz à das irmãs Drake.
Recomendo a quem goste, ou procure, uma leitura leve ou que goste do tema. Eu ficarei de olho na autora!

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O Castelo dos Pirenéus - Opinião


O Castelo dos Pirenéus, de Jostein Gaarder

«Como explicamos as coisas para as quais não temos respostas? Esta é a questão central do novo romance de Jostein Gaarder. O autor descreve-nos as posições das personagens com grande intensidade e comove-nos profundamente com a situação em que se encontram.» - Times Literary Supplement

Depois de trinta anos sem se verem, Solrun e Steinn reencontram-se, inesperadamente, no mesmo hotel onde viveram um amor apaixonado. Mas esse mesmo hotel, que em tempos testemunhara a força do seu amor, esconde também o mistério que envolveu o seu fim. Regressados às suas vidas presentes, os dois iniciam uma intensa e secreta troca de emails que volta a incendiar a antiga paixão, fazendo-os questionar os seus casamentos. Um romance fascinante nos leva a reflectir sobre a natureza da fé, do acaso, do universo e de tudo o que nele existe.

O Castelo dos Pirenéus é o meu regresso ao meu escritor preferido. É como chegar a uma casa quente e acolhedora após um passeio ao frio. Entramos seguros e em pouco tempo afundamo-nos na escrita cativante do autor.
Desta vez Jostein Gaarder traz-nos a correspondência de dois ex-namorados que se tornam a encontrar trinta anos depois. Terá sido coincidência? É esta coincidência, a busca de uma consciência do mundo e a discussão da fé de cada um que origina a troca de emails que se sucede entre os dois.
Revivem a sua história, a sua busca interior e o acontecimento que trinta anos antes ditara a separação.
Steinn tornou-se um cientista, longe da fé. Solrun acimentou a sua busca pela fé, por um criador, por uma alma. Ambos viveram separados. Casaram e têm filhos. Mas o reencontro funciona como uma purga de velhos fantasmas.
Retomando um tema já focado em Maya – O Romance da Criação, Jostein Gaarder volta a usar o big bang e a evolução para nos fazer questionar a alma e a consciência humana.
Um livro que nos deixa a pensar. Que nos impede de desligar, mesmo depois de pousado. Uma viagem às nossas próprias crenças e à nossa alma.
Sabe bem voltar a casa!

"É assim tão importante? Ter razão? Ou ter o desejo e a capacidade de lançar as irritantes sementes da dúvida na fé de outrem?"

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A Dama Negra - Opinião


A Dama Negra, de Nora Roberts
Edições Chá das Cinco (Chancela da Saída de Emergência)


"A Dama Negra é do melhor que Nora Roberts alguma vez escreveu."
People

O ar estava frio quando a Dra. Miranda Jones chegou a casa depois de uma longa semana de trabalho. Mas o seu sangue gelou quando sentiu encostarem-lhe uma faca ao pescoço. Depois de roubarem tudo o que trazia, os assaltantes desapareceram.
Profundamente abalada, Miranda decide esquecer aquela experiência assustadora. E, para isso, nada como aceitar o convite para ir a Itália confirmar a autenticidade de A Dama Negra, um bronze renascentista representando uma cortesã dos Medici.
Mas, em vez de cimentar a sua posição como a maior perita mundial nesse campo, a viagem a Itália quase que lhe destrói a reputação. Sentindo-se alvo de uma cilada, Miranda está decidida a limpar o seu nome. Mas ninguém parece disposta a ajudá-la... com a excepção de Ryan Boldari, um sedutor ladrão de arte cujos objectivos são obscuros...
Agora torna-se evidente que o assalto à porta de sua casa foi muito mais do que isso e que A Dama Negra possui tantos segredos quanto a cortesã que a inspirou. Com a ajuda de um homem em quem não deve confiar mas por quem sente uma atracção intoxicante, a solução para todo este enigma parece repleto de traições, mentiras e perigos mortais.

A Dama Negra é uma leitura recorrente. Li-o a primeira vez quando ainda nem sabia quem era a autora e cativou-me logo. A semana passada uma amiga pediu-me uma recomendação de um livro de Nora Roberts e sugeri-lhe este. Depois, ao falar com ela, começou a “roer” o bichinho de ler A Dama Negra novamente.
O tema é muito interessante: a arte. Os corredores por onde artistas, agentes, galeristas se movem. A explicação de algumas obras que conhecemos e a descrição de obras que a curiosidade nos faz ir pesquisar. O livro não é apenas um romance. É misterioso, artístico e arrebatador.
A personagem de Miranda é fascinante. Mas mais ainda a de Ryan, com a sua família italiana e irlandesa. O contraste completo com a família de Miranda, uma família fria, sem emoção, sem laços.
A descoberta do bronze A Dama Negra leva a protagonista para Florença onde as coisas não correm como planeado. De volta ao Maine (as descrições são fantásticas) o seu local de trabalho é assaltado e desaparece um outro bronze David. É Ryan, o ladrão de arte sedutor, que vai fazer a ligação entre todos os acontecimentos que rodeiam Miranda e descobrir que ela é a ligação, ela é o alvo… mas de quem?
Um romance arrebatador em que as 400 páginas do livro são devoradas em pouco tempo. Um dos melhores livros da autora, sem dúvida.
Apenas um aparte em relação à tradução. Há alguns erros de tradução. O mais crasso é a repetitiva tradução de restauro para “restauração”. Meus amigos, restauração são restaurantes e restauro é a arte de “reparar” uma obra de arte. Não fazia mal à editora fazer uma nova revisão do livro.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Uma Noite de Amor - Opinião


Uma Noite de Amor, de Mary Balogh

Numa manhã perfeita de Maio…
Neville Wyatt, conde de Kilbourne, aguarda a sua noiva no altar. Mas, para espanto geral, em vez da bela jovem que todos conhecem aparece uma mendiga andrajosa. Perante a nata da aristocracia, o perplexo conde olha para ela e declara que é Lily, a sua mulher! Ao olhar para aquela que em tempos desposou, que amou e perdeu nos campos de batalha de Portugal, ele compromete-se a honrar o seu compromisso… apesar do abismo que agora os separa.
Até que Lily fala com franqueza
E afirma querer começar de novo… e que Neville a ame verdadeiramente. Para isso, sabe que terá de estar à altura das expectativas dele, o que a leva a aceitar ser dama de companhia da sua tia e aprender as boas maneiras. A determinada Lily rapidamente conquista a admiração da alta sociedade, demonstrando ser uma condessa à altura do seu conde. Por seu lado, Neville está disposto a tudo para provar à sua formidável mulher que o que sentiu por ela no campo de batalha foi muito mais que desejo, muito mais do que o arrebatamento de…
Uma noite de amor.

Este livro surge como uma curiosidade à referência de Portugal. Para mim prometia ser mais um destes novos romances pseudo-eróticos que andam na moda, estilo Madeline Hunter ou Nora Roberts. Nada contra, aviso desde já. De vez em quando sabe bem ler um destes livros “água com açúcar”, como dizem os brasileiros.
Mas este livro foi mais uma surpresa. Primeiro uma desilusão… depois uma surpresa.
A desilusão chega com a referência a Portugal. Afinal não passa disso mesmo… uma referência. Os campos de batalha não são localizados com precisão falando-se sempre do “centro de Portugal” e nada mais sobre o nosso país é referido.
A surpresa vem por não ser um mero livro “água com açúcar”. Não nos fala de um amor que floresce e que é levado ao êxtase. Fala-nos sim de um amor que tem de ser trabalhado e que precisa de uma comunhão não apenas sexual.
Lily é uma personagem fascinante. Alberga em sim toda a inocência do mundo e toda a esperança, mesmo passando pelas atrocidades que passou. Atravessa a península ibérica em busca do seu amor e consegue chegar a ele… no dia do seu casamento com outra. Lily vai lutar muito pela sua felicidade. Mesmo que para isso tenha de sair da vida de Neville.
Neville, por sua vez, é alguém que após perder Lily se habituou ao simples companheirismo de Lauren, a sua noiva. Esqueceu o que era uma vida de amor e espera encontrar na amizade de Lauren um futuro em conjunto. Mas após o regresso de Lily ele percebe que nunca poderia viver sem amor. E que o que Lily lhe oferece não é apenas uma comunhão carnal, e sim uma comunhão de sentimentos, compreensão e respeito. É para essa comunhão que ambos trabalham.
No fim há ainda a revelação de um grande segredo. Não é propriamente um policial pelo que por volta do meio do livro já os leitores o devem ter percebido.
Uma leitura leve para dias de verão. Levar para a praia, para o campo ou para a esplanada. Um livro para relaxar.