Mostrar mensagens com a etiqueta Sarah Addison Allen. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sarah Addison Allen. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 23 de março de 2015

Lago Perdido, de Sarah Addison Allen - Opinião

Lago Perdido, de Sarah Addison Allen

A primeira vez que Eby Pim viu Lago Perdido foi num postal. Apenas uma fotografia antiga e algumas palavras num pequeno quadrado de papel pesado, mas quando o viu soube que estava a olhar para o seu futuro.
Isso foi há metade de uma vida. Agora Lago Perdido está prestes a deslizar para o passado de Eby. O seu marido George faleceu há muito tempo. A maior parte da sua exigente família desapareceu. Tudo o que resta é uma velha estância de cabanas outrora encantadoras à beira do lago a sucumbirem ao calor e à humidade do Sul da Georgia, e um grupo de inadaptados fiéis atraídos para Lago Perdido ano após ano pelos seus próprios sonhos e desejos.
É bastante, mas não o suficiente para impedir Eby de abrir mão de Lago Perdido e vendê-lo a um empreiteiro. Este é por isso o seu último verão no lago… até que uma última oportunidade de reencontrar a família lhe bate à porta.

Sarah Addison Allen é uma das minhas autoras de eleição. Considero que os livros dela são doces. Aquela doçura que nos faz lembrar a infância, os amores, a magia… Lago Perdido foi-me oferecido nos meus anos pela minha irmã (de alma) que podem visitar aqui.
Lago Perdido soube-me a pouco. Para os livros anteriores de Sarah, Lago Perdido sabe a pouco. Não desilude, isso não. Mas sabe…. A um verão que terminou abruptamente, que não teve a magia a que fomos habituados.
A autora apresenta-nos Eby e George na sua lua-de-mel em Paris. Eby vem de uma longa linhagem de mulheres Morris que acham que a felicidade está nos maridos ricos e no dinheiro. E apesar de Eby conquistar um marido rico ela é uma pedra solta nessa linhagem. Durante o livro somos transportados por memórias de Eby. A lua-de-mel, a decisão de comprar o Lago Perdido, o voltar para casa.
O presente abre a sua história com Kate, sobrinha-neta de Eby, recentemente viúva e com uma filha a cargo. Devido ao desespero deixa-se controlar pela sogra durante um ano fazendo-lhe as vontades e deixando-a tomar conta da sua vida, e da sua filha. Mas um dia Kate acorda do seu “sonho”. E percebe que Devin, a filha, já não é a criança alegre que era. E que isso se deve ao controle da sogra.
A descoberta de um postal antigo de Eby leva-as a viajar até ao Lago Perdido em busca de algo, de um passado, de um presente, de um futuro… ou delas mesmas.
O lago perdido é uma estância de férias que nos seus tempos áureos vivia recheada de turistas. Agora Eby vê-se na impossibilidade de conseguir manter o lugar. Viúva, sem dinheiro suficiente e com pouco que a prenda ali, considera por fim vender o local. Ao saber disto duas personagens surgem na tentativa de viver o último verão naquela estância.
E são as personagens deste livro que o tornam tão rico. Selma e os seus 8 feitiços que conquistam homens. A mulher fatal condenada, por sua própria escolha, a roubar os maridos das outras. Bulahdeen, a velha professora de literatura que não volta a ler os livros que leu porque os finais mudam. Jack, o dentista que não consegue interagir com pessoas e prefere o silêncio. Wes… o companheiro de aventuras de Kate naquele verão há muitos anos que passou no Lago Perdido.
Lisette… confesso que Lisette é a minha personagem preferida. A muda rapariga francesa a quem Eby salva a vida e que passa a vida “agarrada” a um passado e a uma cadeira.
As personagens são ricas. São fáceis de se gostar delas. O que já é normal na autora. A história tem a magia a que estamos acostumados. Como o postal que aparece como por magia, o aligator que parece indicar o caminho e que só Devin vê, a cadeira de Lisette…
Penso que o ponto fulcral da história, para mim, é a ideia que os fins podem ser mudados. Que nenhuma história é linear, igual. Que o fim pode ser trabalhado, pode mudar, consoante o caminho que se escolha.
E é isso que as várias personagens têm de fazer: escolhas. Escolhas que mudem o seu final, que mudem o seu caminho… que mudem a sua vida para aquilo que realmente querem.
Não é um dos melhores da autora. Mas não desilude. Lê-se bem e encanta. Mantêm-nos presos à sua magia e à sua história. Para mim o único defeito é ter um fim demasiado abrupto, demasiado rápido e com poucas explicações.

Um bom livro para as férias da páscoa… para aqueles que as têm…

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O Quarto Mágico, Sarah Addison Allen - Opinião

O Quarto Mágico, de Sarah Addison Allen

Josey Cirrini tem a certeza de apenas três coisas na vida: O Inverno é a sua estação preferida; está perdidamente apaixonada; e um doce sabe muito melhor quando degustado na privacidade do seu esconderijo secreto. Enfrentando uma vida triste, o seu único consolo é a sua pilha de doces e romances a que se entrega todas as noites… Até que descobre que no roupeiro se esconde nada mais nada menos que Della Lee Baker. Fugindo a uma vida de má sorte, Della Lee decide ajudar Josey a mudar de vida. E, em breve, a jovem renunciará às guloseimas e descobrirá que, mesmo sem elas, a vida pode ser doce.
Influenciada põe Della Lee, Josey trava amizade com Chloe Finley, uma jovem que é perseguida por livros que surgem inexplicavelmente nos mais variados lugares e com uma resposta para quase tudo.
À medida que Josey se atreve a sair da sua casca, descobre um mundo onde a cor vermelha tem um poder surpreendente e o amor pode surgir em qualquer altura. E isso é só o início…
Terna e com um toque de magia, esta é uma história encantadora sobre a amizade e o amor - e sobre as surpreendentes e mágicas possibilidades que cada novo dia nos reserva.

Ainda não encontrei um livro desta autora que me decepcionasse, que não me encantasse, que não me deixasse a pensar no seu conteúdo mesmo depois de acabar a leitura.
O Quarto Mágico é um livro extremamente doce sobre a amizade, o amor, os segredos, e a magia. Um livro que se entranha nas nossas veias e nos impede de o parar de ler. Queremos saber mais, sempre mais.
Aqui a autora apresenta-nos Josey, uma rapariga riquíssima que tem o fado de tratar da mãe. Vive numa casa oponente, cheia de luxo. No entanto esta funciona como uma gaiola. Josey não pode sair de casa a não ser quando acompanha a mãe aos eventos e compromissos marcados. Presa na sua própria casa, e vida, Josey refugia-se no seu roupeiro secreto cheio de doces e livros, onde através deles consegue ganhar asas e pairar sobre toda esta vida.
Um dia, ao abrir o roupeiro Josey encontra lá escondida Della Lee. Della Lee fugiu da sua própria vida. Uma vida amargurada e de má sorte. E escolheu o roupeiro de Josey como passagem. Aos poucos vão descobrindo mais uma da outra. E Della Lee ajuda Josey a despontar as suas asas e a deixar-se levar e arriscar os seus sonhos.
Chloe é a terceira personagem apresentada. Uma rapariga forte com um estranho segredo. Chloe adora ler. E nunca precisou de comprar um livro na sua vida. Simplesmente porque eles aparecem sempre que ela precisa. Precisa de saber gerir o dinheiro? Não há problema. Aparece um livro sobre o assunto.
Os livros que Chloe encontra agora falam de perdão, de novos rumos para um amor antigo. Mas estará Chloe disposta a ler estes livros? A deixar-se influenciar por eles?
Estas três personagens vão criar um círculo de amizade que lutará pelos sonhos de todas. Josey poderá encontrar o amor, Chloe o perdão e Della Lee a paz.
Um livro fantástico, cheio de doçura. Tão doce que os capítulos são nomeados com nomes como Smarties, Kit Kat, ou Marshmallow.
O final torna-se um pouco inesperado. A libertação pode trazer lágrimas. Sejam de alegria ou despedida. Os segredos são desvendados e a amizade esparrama-se pelas páginas doces.

Recomendo a leitura do livro para quem quiser um belo entardecer, uma doce tarde na praia, ou um refúgio no quarto.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

O Feitiço da Lua - Opinião



O Feitiço da Lua, de Sarah Addison Allen

Por vezes é necessário acreditar no impossível!

No seu mais recente romance mágico, Sarah Addison Allen convida-nos a visitar uma pitoresca cidade do sul dos Estados Unidos onde duas mulheres bem diferentes descobrem como encontrar o seu lugar no mundo - por mais deslocadas que se sintam.

Emily Benedict vai para Mullaby, na Carolina do Norte, na esperança de pelo menos resolver alguns dos mistérios que rodeiam a vida da mãe. Porém, assim que Emily entra na casa onde a mãe cresceu e trava conhecimento com o avô, cuja existência sempre desconhecera, descobre que os mistérios não se resolvem em Mullaby, são um modo de vida: o papel de parede muda de padrão para se adequar ao estado de espírito do ocupante do quarto, luzes inexplicáveis dançam pelo quintal à meia-noite e uma vizinha, Julia Winterson, cozinha esperança sob a forma de bolos, desejando não apenas satisfazer a gulodice da cidade mas também reacender o amor que receia ter perdido para sempre. Mas porque desencorajam todos a relação de Emily com o atraente e misterioso filho da família mais importante de Mullaby? Ela veio para a cidade a fim de obter respostas, mas tudo o que encontra são mais perguntas.
Um bolo de colibri poderá trazer de volta um amor perdido? Haverá mesmo um fantasma a dançar no quintal de Emily? As respostas não são o nunca o que esperamos, mas nesta pequena cidade de adoráveis desadaptados, o inesperado faz parte do dia-a-dia.

Já aqui disse que gosto muito dos livros de Sarah Addison Allen. Gosto da forma doce dos seus romances. Doce e mágica, sem precisar de entrar nas “erotices” que andam na moda.
A autora consegue dar sempre um toque mágico a relações nem sempre amorosas. Retrata relações de amizade, de família, que nos deixam a pensar nas nossas próprias.
O Feitiço da Lua não é excepção.
Apresenta-nos Emily, uma adolescente assustada que chega a uma nova terra. Sozinha, após a morte da mãe, é enviada para casa de um avô de que nunca tinha ouvido falar, numa cidade que nunca conhecera. Encontra uma casa velha, um avô pouco falador mas diferente dos demais: nada mais que um dos homens mais altos do mundo.
Mas se Emily chega com ideias de preservar as boas memórias da mãe depressa descobre que a cidade não tem boas memórias. Os habitantes contam histórias de uma pessoa muito diferente daquela que Emily conheceu. E não demonstram estar dispostos a perdoar e a esquecer.
Emily encontra apoio em Julia, a vizinha, que cozinha bolos à noite na esperança que alguém que procura lhes sinta o cheiro e a encontre. Julia tem um passado que é desvendado aos poucos. Um amor que a magoou e que a fez fugir do mundo. Mas teve de voltar. E com ela trouxe o cheiro dos bolos e a possibilidade de um amor perdido.
Como irão Emily e Julia enfrentar juntas o passado para viver o presente? Numa cidade que respeita a tradição e torce o nariz a forasteiros. Um local onde luzes estranhas correm pelos bosques à noite e pessoas conseguem ver o aroma dos bolos a chamá-las.
Uma história encantadora, capaz de fazer sonhar, e onde eu, pessoalmente, encontrei muito de mim.
Sabe bem ler histórias assim!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A Árvore dos Segredos - Opinião



A Árvore dos Segredos, de Sarah Addison Allen

Sarah Addison Allen dá-nos as boas-vindas a uma nova povoação: Walls of Water, na Carolina do Norte, onde os segredos são mais espessos do que o nevoeiro das famosas quedas-dágua da cidade, e as superstições são, de facto, reais.
Willa Jackson vem de uma antiga família que ficou arruinada gerações antes. A mansão Blue Ridge Madam, construída pelo bisavô de Willa durante a época áurea de Walls of Water, e outrora a mais grandiosa casa da cidade, foi durante anos um monumento solitário à infelicidade e ao escândalo. Mas Willa soube há pouco que uma antiga colega de escola a elegante Paxton Osgood - da abastada família Osgood, restaurou a Blue Ridge Madam e a devolveu à sua antiga glória, tencionando transformá-la numa elegante pousada. Talvez, por fim, o passado possa ser deixado para trás enquanto algo novo e maravilhoso se ergue das suas cinzas. Mas o que se ergue, afinal, é um esqueleto, encontrado sob o solitário pessegueiro da propriedade, que com certeza irá fazer surgir coisas terríveis.
Pois os ossos, pertencentes ao carismático vendedor ambulante Tucker Devlin, que exerceu os seus encantos sombrios em Walls of Water setenta e cinco anos antes, não são tudo o que está escondido longe da vista e do coração. Surgem igualmente segredos há muito guardados, aparentemente anunciados por uma súbita onda de estranhos acontecimentos em toda a cidade.

Desta autora tinha lido um único livro, O Jardim Encantado, e fiquei fascinada com o modo de escrita dela. O livro tinha-me encantado de tal maneira que o achei delicioso. Assim, quando surgiu a oportunidade de ler a restante obra da autora não me fiz de negada e aceitei prontamente.
Comecei com A Árvore dos Segredos.
Ao contrário d’O Jardim Encantado, este livro tem uma magia mais subtil. Como uma aragem de vento que passa por entre as folhas sem nos tocar realmente. Mas não é por isso que a história perde o seu encanto. Pelo contrário. Faz-nos focar mais nas personagens e na história em si.
É fácil apaixonarmo-nos por Willa, a personagem principal. Apesar de “aceitarmos” a sua vida que parece monótona queremos mais para ela. Queremos ver os horizontes abrirem-se com novas oportunidades. E é Colin que lhe abre esses horizontes.
Apesar de ser descendente de uma abastada família, uma das famílias fundadoras da povoação, o dinheiro e a fama foram-se perdendo ao longo do tempo. E outras famílias aproveitaram essa fama e dinheiro. É o caso dos Osgood’s, a família de Colin.
No entanto, e para mim, a história principal não é o romance de Willa e sim a história de amizade. A história de amizade que uniu as avós de Willa e Paxton Osgood e que as irá unir a elas para que o passado possa ser encerrado, finalmente.
O livro é de leitura fácil e viciante. Lê-se num sopro. E quando acabamos apetece-nos logo agarrar noutro livro da mesma autora.
Recomendo vivamente!