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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Morgana, de Michel Rio - Opinião

Morgana, de Michel Rio

"Morgana é o caos, diz Artur a Merlim. Um caos onde toda a finalidade falece, onde o construtor meticuloso e obstinado, que recebeu por herança este cuidado imperioso da finalidade, se perde com deleite. Morgana é a obsessão dos sentidos que mata no pensamento a obsessão do projecto. É o presente absoluto que rói o frágil futuro. O se espírito é uma devastação que quereria odiar, adorando cada parcela da sua carne, o menor esboço do seu movimento que é como uma dança infinita de graça e de morte. E, contudo, vejo bem que a sua carne não é mais do que a matéria macia e singular do seu espírito, que os dois são uma uma e a mesma coisa e que a sedução deste invólucro a que nada na natureza pode comparar-se não é mais que o intérprete harmonioso duma sedução mil vezes mais poderosa, nascida do fausto calculado duma inteligência sublime e pervertida."

Morgana é o segundo livro de uma trilogia iniciada por Merlim (opinião aqui).
Michel Rio com esta trilogia mostra-nos a visão da mesma história aos olhos de cada personagem: Merlim, Morgana e Artur.
Esperava que Morgana fosse contada na primeira pessoa, um pouco como Merlim. Mas embora não o seja consegue transmitir-nos a sua visão de Merlim, Artur, Camelot, Avalon,..
Contado desde o casamento da mãe, Igerne, com Uter, o dia em que conhece Merlim e o reconhece como um pai espiritual, vemos a forma como cresce e aprende com Merlim a sabedoria e a lei das coisas.
Desde cedo Morgana se revolta com o mundo que a rodeia visto que não compreende um mundo perecível, um mundo onde o corpo humano descai para a morte, um mundo que será infindável e superior a ela e, até, a Merlim e as suas ideias.
Com Merlim ficámos a conhecer uma Morgana que envolve caos e dor, e que a tudo o custo tenta destruir Artur, Camelot e as ideias de Merlim.
Mas neste livro descobrimos uma Morgana que age com medo de um caos que fica depois da sua morte, que age pela sabedoria e pela prova das suas ideias. Uma Morgana que por muito que lute contra acaba por agir por amor… o sentimento que mais renega.
Morgana é-nos apresentada como uma beleza capaz de derreter qualquer coração, com uns olhos verdes que enche de desejo qualquer um que a veja. O que irá acontecer a Artur que inicia com a meia-irmã uma relação de incesto que trará o nascimento de Mordred.
Mas para nós, leitores, Morgana é uma inteligência rara. As suas discussões de filosofia, aos 12 anos, com Merlim enchem páginas do livro. Discute átomos, heliocentrismo, Aristóteles e corpos celestes.
E mesmo com todos os acontecimentos em volta, com todo o caos provocado, simplesmente pelo seu medo de amar, não conseguimos ter raiva da personagem. Apenas pena. Pena de alguém que só nos últimos dias de vida percebeu o que era o amor e que não devia ter lutado contra ele.
Um livro muito bom. Mesmo indo contra as ideias de Avalon que aprendemos com Marion Zimmer Bradley. Um ponto de vista que vale a pena ver. E embora seja de uma leitura mais difícil que Merlim, acaba por ser mais interessante e recompensados. Ou talvez seja eu que pense assim já que Morgana foi sempre a minha personagem preferida.
Chegaremos a Artur em breve para terminar esta trilogia de Michel Rio.
Termino com as últimas frases do livro que achei muito bonitas:

“A ilha fortaleza fechada, escrínio poderosos cingindo o mausoléu onde repousavam para sempre Artur e Morgana, lado a lado, enfim reunidos na paz após uma longa paixão de amor e de ódio, era ela mesma um túmulo colossal onde estavam enterrados Logres, a Távola Redonda e ele próprio, Merlim, mortos aqui e agora, por obra da história e das coisas, antes de renascer algures e para sempre, pela palavra e pela lenda.”


E assim renasceram…

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Merlim, de Michel Rio - Opinião

Merlim, de Michel Rio

“Tenho cem anos. Um século é uma eternidade para se viver, um pensamento fugidio em que tudo, os começos, a consciência, a invenção e o fracasso, se mistura numa experiência sem tempo. Trago em mim o luto de um mundo e de todos aqueles que o povoaram. Sou o único sobrevivente desse mundo. Até Deus está a morrer e Satã não está melhor…
…Tenho cem anos. Sou no sonho de Morgana e habito, solitário, um planeta errante que em vão se aquece nos raios de um centro sem vida e sem motivo.
E Morgana é no meu sonho…”

Merlim é o primeiro livro de uma trilogia assinada por Michel Rio. Os volumes seguintes são Morgana e Artur.
Como o nome indica é mais uma visita ao reino de Camelot e à vida destas personagens intemporais.
Em Merlim conhecemos mais um pouco a vida do mago que povoa a imaginação de tantos. Mas na realidade, a magia deste livro existe apenas numa mente inteligente e superior que percebe as rodas que mexem o mundo.
Criado para ser rei, Merlim é educado para ser guerreiro e líder. Mas cedo a sua inteligência e perspicácia deixam antever um estratega e um sábio. Cedendo a coroa a Uter, Merlim passa a conselheiro do rei e cria o que será Camelot e a távola redonda. Após o casamento de Uter leva o filho deste, Artur, para ser criado longe dos laços familiares e para que obtenha uma educação como a de dele próprio: de guerreiro e rei.
É Merlim que, também, toma para si a educação de Morgana, meia-irmã de Artur, que o surpreende com uma mente tão parecida com a sua.
É estranho para alguém que lê apaixonadamente as Brumas de Avalon, ler um Merlim que fala em Deus e Satã. Que fala de religiões antigas sem lhe pertencer e que não possui magia alguma. A Avalon de Michel Rio é apenas uma ilha esquecida no tempo e no espaço que servirá de prisão a Morgana. Não existem sacerdotisas nem Excalibur.
Não era a leitura que estava à espera, confesso. No entanto, não deixa de ser uma leitura interessante. É a visão do mundo de um homem sábio que sabe como mexe o mundo, como o fazer rodar e que a vida não é linear.

Os próximos títulos da trilogia estão já em lista de espera.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Os Demónios de Álvaro Cobra - Novidade



Os Demónios de Álvaro Cobra, de Carlos Campaniço

A aldeia de Medinas seria um lugar bem mais aprazível não fosse contar-se entre os seus habitantes Álvaro Cobra, um lavrador que atrai fenómenos sobrenaturais e tão depressa é tido por bruxo como por santo: não chorou ao nascer, com três meses já tinha os dentes todos, consegue ouvir a Terra girar sobre si própria, tem uma cadela que adivinha o tempo e, além disso, já morreu duas vezes – mas ressuscitou, e desde então um bando de grifos faz ninho no seu telhado.

Ao ficcionar uma aldeia alentejana em finais do século XIX – na qual judeus, árabes e cristãos andam às turras e os mitos ganham terreno à realidade –, Carlos Campaniço oferece-nos uma galeria de personagens inesquecíveis, que vão de um anarquista alfabetizador à dona de um bordel ambulante, e recicla de forma original o realismo mágico para revisitar as virtudes e os defeitos das pequenas comunidades rurais do nosso Portugal.

Nas livrarias 28 de Fevereiro

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Mais novidades do grupo Leya



Esta Noite Não Aconteceu, de Sónia Alcaso        

Que poderá acontecer a quem anseia desesperadamente ser rico e famoso e se dispõe a vender a alma para o conseguir?
Esta Noite não Aconteceu é uma viagem ao interior sombrio de quatro personagens ao longo de doze horas, durante as quais assistiremos a uma espiral alucinante de encontros e desencontros, recordações e mentiras, abusos, recriminações, violência e sexo desenfreado; mas, à medida que a noite dá lugar à manhã, as máscaras cairão, uma por uma, mostrando que, afinal, nada é o que parece.

Nas livrarias a 7 de Maio



A Despedida de José Alemparte, de Paulo Bandeira Faria       

José Alemparte, galego, septuagenário, atrevido e com um sentido de humor implacável, descobre casualmente que tem Alzheimer e não quer partir deste mundo sem fazer as pazes com o amigo que lhe roubou a mulher e não só. Emma, cansada de um marido que parece ter desistido dela, procura consolo num chat e acaba por se envolver com um estranho que é muito menos estranho do que parece. Alex, um miúdo sem papas na língua e com um computador novinho em folha, escreve uma espécie de diário que oscila entre o cómico e o trágico.
São eles os três narradores de A Despedida de José Alemparte e, mais do que gerações diferentes, representam momentos marcantes da história recente do país vizinho: a Guerra Civil, os anos de chumbo do terrorismo na época da transição para o Estado democrático e os terríveis constrangimentos da crise actual.

Nas livrarias a 14 de Maio



Correr ou Morrer, de Killian

“Kiss or kill. Beija ou morre. Beija a glória ou morre a lutar por ela. Perder é morrer, ganhar é viver. A luta é o que distingue uma vitória, um vencedor.”
Todas as manhãs, durante anos, Kilian Jornet lia estas palavras antes de sair para treinar. Vivia num velho apartamento, dispensava luxos, o que queria era superar-se, ir mais longe, ganhar. Ganhar tudo. Ainda não tinha vinte anos quando se tornou campeão mundial de corrida de montanha. De repente, no universo da alta competição, nascia um fora de série, um novo herói, uma pessoa extraordinária. O atleta catalão ainda não fez 25 anos e já não tem rivais em skyrunning, uma das provas de endurance mais duras do planeta. Subiu e desceu o Kilimanjaro mais rapidamente do que qualquer outro ser humano.

Nas livrarias a 31 de Maio