segunda-feira, 27 de maio de 2013

O Cemitério de Praga - Opinião



A autora do blog O Berço do Mundo, Ruthia Portelinha, deixou-nos o seu contributo. Apaixonada por livros e viagens faz-nos viajar pelas suas palavras nos posts que faz no seu blog. Não deixem de o visitar e deliciar-se.

Hoje viajamos pela sua análise à leitura de O Cemitério de Praga, de Umberto Eco.


O Cemitério de Praga, de Umberto Eco

Acabadinho de ler. Tinha talvez expectativas demasiado altas, motivadas pelo autor, que é brilhante, do período histórico a que remete, da sinopse estupenda que deve ter sido escrita por um marketeer…

Durante o século XIX, entre Turim, Palermo e Paris, encontramos uma satanista histérica, um abade que morre duas vezes, alguns cadáveres num esgoto parisiense, um garibaldino que se chamava Ippolito Nievo, desaparecido no mar nas proximidades do Stromboli, o falso bordereau de Dreyfus para a embaixada alemã, a disseminação gradual daquela falsificação conhecida como Os Protocolos dos Sábios de Sião (que inspirará a Hitler os campos de extermínio), jesuítas que tramam contra maçons, maçons, carbonários e mazzinianos que estrangulam padres com as suas próprias tripas, um Garibaldi artrítico com as pernas tortas, os planos dos serviços secretos piemonteses, franceses, prussianos e russos, os massacres numa Paris da Comuna em que se comem os ratos, golpes de punhal, horrendas e fétidas reuniões por parte de criminosos que entre os vapores do absinto planeiam explosões e revoltas de rua, barbas falsas, falsos notários, testamentos enganosos, irmandades diabólicas e missas negras.”

 
Apesar de promissor, não gostei. 


O protagonista - um tal capitão Simonini, falsário, contrabandista e glutão - é demasiado debochado, as conspirações demasiado intrincadas, os discursos demasiado longos, demasiado é também o ódio que transborda daquelas páginas.


Ódio pelas mulheres - pois nutre “um horror natural” por essa “estirpe do demónio”.


Ódio pelos padres – de quem recorda “olhares fugidios, dentaduras estragadas, hálitos pesados, mãos suadas que tentavam acariciar-me a nuca. Que nojo. Ociosos, pertencentes às classes perigosas, como os ladrões e vagabundos. (…) E, entre os padres mais indignos, o Governo escolhe os mais estúpidos e nomeia-os bispos” (pp.23-24).



Ódio pelos alemães – “o mais baixo nível de humanidade concebível (…) produz em média, o dobro das fezes de um francês. Hiperactividade da função intestinal em prejuízo da cerebral” (pp. 16-17).
Ódio por alguns intelectuais e pintores “medíocres” como Proust, Zola ou Monet.


Ódio pelos franceses - que são maus, matam por vício, são ignorantes e avarentos, crêem que todo o mundo fala a sua língua (p. 22).


Ódio pelos seus próprios compatriotas – “o italiano não é de fiar, é mentiroso, vil, traidor, sente-se mais à vontade com o punhal do que com a espada, melhor com o veneno do que com o remédio, viscoso na negociação, coerente só no mudar de bandeira conforme o vento” (p. 23).


E, sobretudo, ódios pelos judeus, receptáculo de todos os vícios - um hebreu, diz o protagonista, “para além de vaidoso como um espanhol, ignorante como um croata, cúpido como um levantino, ingrato como um maltês, insolente como um cigano, imundo como um inglês, gorduroso como um calmuco, imperioso como um prussiano e maledicente como um astiense é adúltero por cio irrefreável” (p. 16)

 
Nem a descrição de uma missa negra, com laivos de uma orgia pedófila, salva esta obra. E a falta de escrúpulos deste Simonini é perturbante: ele que perde a virgindade nessa tal missa macabra, acaba por assassinar a sua parceira de cópula e esconder o cadáver na cloaca que repousa debaixo das casas parisienses.


Perdoe-me senhor Umberto Eco, mas o seu livro não é inspirador. Interessante talvez. Belissimamente escrito. Mas não inspirador. Vale pelas ilustrações (de época) e pelo retrato que faz de algumas personagens históricas [como Garibaldi e um Freud viciado em cocaína]. Desiludida!





quarta-feira, 22 de maio de 2013

A Cor da Tentação - Novidade 5 Sentidos


A Cor da Tentação é o título do segundo volume da série 80 Dias, de Vina Jackson, que a 5 Sentidos publica em Portugal.
A segunda obra da série Eighty Days, como é conhecida internacionalmente, sucede ao livro A Cor do Desejo e antecede a publicação de A Cor do Prazer.
As obras de Vina Jackson têm-se mostrado irresistíveis para as leitoras: já venderam mais de 1 milhão de exemplares em todo o mundo. Não espanta, portanto, que estes livros estejam a partilhar os primeiros lugares das listas de vendas internacionais com as obras de outra colecção de sucesso da 5 Sentidos, a série Crossfire, de Sylvia Day.


A cor da tentação, de Vina Jackson
Summer Zahova instala-se em Nova Iorque e desfruta a sua nova vida profissional numa importante orquestra. Sob o olhar atento de Simón, o atraente maestro venezuelano, a carreira de Summer desenvolve-se, trazendo-lhe estabilidade. No entanto, uma cidade diferente e o sucesso alcançado trazem-lhe novas tentações e em breve Summer sentir-se-á atraída pelo mundo perigoso e secreto da intriga e do desejo, que ela pensara ter deixado para sempre.
Entretanto, Dominik, o abastado professor universitário, apercebendo-se que a sua vida não faz sentido sem Summer, decide deixar Londres e vai viver para Nova Iorque. Dominik está convencido de que pode proteger Summer do seu lado mais sombrio, não compreendendo que as suas próprias paixões acabam por ser destrutivas para ambos.

A Autora
Vina Jackson é o pseudónimo de dois reconhecidos escritores que escrevem juntos pela primeira vez. Um é um escritor de sucesso, o outro, escritor com obra publicada, é um profissional da City.

Ler excerto aqui

Nas livrarias a 27 de Maio
5 Sentidos

segunda-feira, 8 de abril de 2013

O Feitiço da Lua - Opinião



O Feitiço da Lua, de Sarah Addison Allen

Por vezes é necessário acreditar no impossível!

No seu mais recente romance mágico, Sarah Addison Allen convida-nos a visitar uma pitoresca cidade do sul dos Estados Unidos onde duas mulheres bem diferentes descobrem como encontrar o seu lugar no mundo - por mais deslocadas que se sintam.

Emily Benedict vai para Mullaby, na Carolina do Norte, na esperança de pelo menos resolver alguns dos mistérios que rodeiam a vida da mãe. Porém, assim que Emily entra na casa onde a mãe cresceu e trava conhecimento com o avô, cuja existência sempre desconhecera, descobre que os mistérios não se resolvem em Mullaby, são um modo de vida: o papel de parede muda de padrão para se adequar ao estado de espírito do ocupante do quarto, luzes inexplicáveis dançam pelo quintal à meia-noite e uma vizinha, Julia Winterson, cozinha esperança sob a forma de bolos, desejando não apenas satisfazer a gulodice da cidade mas também reacender o amor que receia ter perdido para sempre. Mas porque desencorajam todos a relação de Emily com o atraente e misterioso filho da família mais importante de Mullaby? Ela veio para a cidade a fim de obter respostas, mas tudo o que encontra são mais perguntas.
Um bolo de colibri poderá trazer de volta um amor perdido? Haverá mesmo um fantasma a dançar no quintal de Emily? As respostas não são o nunca o que esperamos, mas nesta pequena cidade de adoráveis desadaptados, o inesperado faz parte do dia-a-dia.

Já aqui disse que gosto muito dos livros de Sarah Addison Allen. Gosto da forma doce dos seus romances. Doce e mágica, sem precisar de entrar nas “erotices” que andam na moda.
A autora consegue dar sempre um toque mágico a relações nem sempre amorosas. Retrata relações de amizade, de família, que nos deixam a pensar nas nossas próprias.
O Feitiço da Lua não é excepção.
Apresenta-nos Emily, uma adolescente assustada que chega a uma nova terra. Sozinha, após a morte da mãe, é enviada para casa de um avô de que nunca tinha ouvido falar, numa cidade que nunca conhecera. Encontra uma casa velha, um avô pouco falador mas diferente dos demais: nada mais que um dos homens mais altos do mundo.
Mas se Emily chega com ideias de preservar as boas memórias da mãe depressa descobre que a cidade não tem boas memórias. Os habitantes contam histórias de uma pessoa muito diferente daquela que Emily conheceu. E não demonstram estar dispostos a perdoar e a esquecer.
Emily encontra apoio em Julia, a vizinha, que cozinha bolos à noite na esperança que alguém que procura lhes sinta o cheiro e a encontre. Julia tem um passado que é desvendado aos poucos. Um amor que a magoou e que a fez fugir do mundo. Mas teve de voltar. E com ela trouxe o cheiro dos bolos e a possibilidade de um amor perdido.
Como irão Emily e Julia enfrentar juntas o passado para viver o presente? Numa cidade que respeita a tradição e torce o nariz a forasteiros. Um local onde luzes estranhas correm pelos bosques à noite e pessoas conseguem ver o aroma dos bolos a chamá-las.
Uma história encantadora, capaz de fazer sonhar, e onde eu, pessoalmente, encontrei muito de mim.
Sabe bem ler histórias assim!