quinta-feira, 25 de julho de 2013

Amor e Guloseimas, de Kate Jacobs - Opinião



Amor e Guloseimas, de Kate Jacobs

Prestes a completar cinquenta anos, Augusta "Gus" Simpson, a popular apresentadora de Cozinhar com Gusto!, dá consigo a planear um aniversário que preferiria ignorar - o seu. Está a ficar cansada de ser a anfitriã perfeita, a mãe-galinha, a mulher que é sempre o porto de abrigo para todos os que a rodeiam. Para piorar as coisas, a sua carreira corre perigo - o canal de televisão quer aumentar as audiências do programa e para isso vai buscar a bela e ambiciosa Carmen Vega, ex-Miss Espanha, que depressa se transformará na nova menina bonita da culinária.
Mas Gus não vai desistir sem dar luta - e a temperatura vai subir, no estúdio e fora dele. Porque ela percebe que poderá não só rejuvenescer a sua carreira como melhorar a sua vida familiar - e talvez mesmo a sua vida amorosa.

Um romance (doce como uma guloseima) em que se misturam os sabores da infância com os desafios de começar de novo aos cinquenta.

Este era um livro sobre o qual eu tinha alguma curiosidade. Não tanto pela sinopse, confesso, mas sim pelo título. Curiosidades destas às vezes trazem surpresas desagradáveis. Mas desta vez não foi esse o caso.
As primeiras páginas do livro podem ser um pouco desmotivantes. É-nos apresentada Gus e a sua “angústia” por ir fazer 50 anos, a festa que não quer planear. Logo ela que adora planear festas.
Gus é apresentadora de um programa de culinária muito conhecido. Viúva, mãe de duas filhas, vive sozinha com o Sal e a Pimenta, os seus gatos, numa enorme casa que gosta de encher de amigos em festas. Aliás, o programa é inteiramente filmado na sua cozinha.
No entanto, aos 50 anos, Gus vê a sua brilhante carreira tremida. As audiências estão a baixar, o canal de televisão procura algo novo e mais dinâmico que chegue aos públicos de todas as idades. Para piorar tem o trabalho de mãe nada facilitado. Sabrina está noiva… novamente, e Aimee continua a afastar todos da sua vida.
É neste quadro que aparece Carmen, ex-Miss Espanha, estrela de culinária de um programa de internet, e Oliver, cozinheiro por amor, homem de ideias fixas e de diversas paixões.
Um forte nevão deita por terra o episódio piloto do novo programa o que faz com que todas estas personagens entrem em cena para salvar Gus. Mas todos têm as suas próprias ideias.
Gus quer continuar a sua vida nos mesmos moldes, salvar o seu programa, continuar a cozinhar e orientar as filhas na vida. Carmen quer subir na vida a qualquer custo, ser conhecida, ser famosa, dar aos pais, que ficaram em Sevilha, o orgulho de ter uma filha famosa. Sabrina quer casar, quer descobrir o que quer visto que nem ela própria o sabe. Aimee quer esconder-se, refugiar-se no trabalho, esquecer a vida lá fora e principalmente esquecer que a mãe é famosa. Oliver quer mudar de vida, fazer algo por amor, e ao longo da história vai querer mais alguém…
A eles juntam-se Troy, ex-namorado de Sabrina, que tenta fazer publicidade à sua nova empresa enquanto tenta recuperar a ex-namorada, e Hannah, a ex-famosa estrela do ténis que se refugia do mundo, encontrando em Gus um porto de abrigo.
Todas estas personagens são ingredientes de um livro extremamente doce. Juntamos as personagens, mexemos em lume brando, outras vezes em discussões. Adicionamos amor, amizade, tristeza e sonhos, muitos sonhos. Acrescentamos gargalhadas e diversão. No fim ficamos um romance delicioso. Simples e nada pretensioso. Um romance que é verdadeiramente definido pela palavra “doce”.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

A Villa, de Nora Roberts - Opinião



A Villa, de Nora Roberts

Sophia é a herdeira do negócio de vinhos da próspera família Giambelli. Sob ordens da sua avó, ela tem de aprender todas as etapas da produção de vinho. O seu tutor, Tyler MacMillan, é um jovem atraente com uma grande paixão pelas vinhas, mas apenas desprezo pelo mundo de negócios. À partida, esta promete ser uma parceria difícil, mas quando a reputação dos vinhos Giambelli começa a ser misteriosamente atacada, a difícil relação transforma-se num inesperado romance. Infelizmente alguém ambiciona destruir mais do que o negócio de vinhos. Mas só quando o pai de Sophia é morto e os membros da família se tornam suspeitos, é que a verdadeira dimensão da ameaça é revelada. Será que a própria família Giambelli está em risco? E o que pode um frágil amor perante tamanha teia de manipulação?


É sempre bom voltar a Nora Roberts. Principalmente no verão, quando a cabeça precisa de arejar, de ideias leves, de pensar pouco e sonhar muito.
Este livro começa com uma morte que desde logo nos prende. Terá sido a morte do velho Signore Baptista uma mera coincidência, uma movida de uma peça de xadrez ou o desenrolar de uma longa história? De tudo um pouco, na verdade.
Aos poucos conhecemos a história da família Giambelli. As suas várias gerações, o seu papel na empresa familiar, a relação de cada um com La Signora (que nos parece quase saída de uma história da máfia) e com cada um entre si.
O vinho corre por cada página deste livro. Por cada história. Envolve-nos com o seu cheiro e o seu sabor à medida que vamos conhecendo os personagens, as suas motivações. À medida que as gotas do vinho se misturam com o sangue dos que ficam pelo caminho.
Uma grande fortuna traz invejas. Uma família unida traz invejas. E pelos vistos a Giambelli causa invejas. Invejas capazes de mandar matar alguém, de mandar prejudicar outros.
A história está bem construída. É interessante, cativante, bastante leve, apesar do enredo não o parecer, e torna-se, até divertida. Sophia é uma personagem interessante e Ty consegue ser hilariante. A mistura dos dois, então, essa consegue arrancar-nos gargalhadas.
É sobretudo um livro sobre os laços familiares, sobre a amizade em família e a importância que a mesma pode ter nas nossas vidas.
Tal como disse no início, é um livro ideal para o verão, para espairecer e refrescar a mente. Quem sabe acompanhado de um copo de vinho?

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O Quarto Mágico, Sarah Addison Allen - Opinião

O Quarto Mágico, de Sarah Addison Allen

Josey Cirrini tem a certeza de apenas três coisas na vida: O Inverno é a sua estação preferida; está perdidamente apaixonada; e um doce sabe muito melhor quando degustado na privacidade do seu esconderijo secreto. Enfrentando uma vida triste, o seu único consolo é a sua pilha de doces e romances a que se entrega todas as noites… Até que descobre que no roupeiro se esconde nada mais nada menos que Della Lee Baker. Fugindo a uma vida de má sorte, Della Lee decide ajudar Josey a mudar de vida. E, em breve, a jovem renunciará às guloseimas e descobrirá que, mesmo sem elas, a vida pode ser doce.
Influenciada põe Della Lee, Josey trava amizade com Chloe Finley, uma jovem que é perseguida por livros que surgem inexplicavelmente nos mais variados lugares e com uma resposta para quase tudo.
À medida que Josey se atreve a sair da sua casca, descobre um mundo onde a cor vermelha tem um poder surpreendente e o amor pode surgir em qualquer altura. E isso é só o início…
Terna e com um toque de magia, esta é uma história encantadora sobre a amizade e o amor - e sobre as surpreendentes e mágicas possibilidades que cada novo dia nos reserva.

Ainda não encontrei um livro desta autora que me decepcionasse, que não me encantasse, que não me deixasse a pensar no seu conteúdo mesmo depois de acabar a leitura.
O Quarto Mágico é um livro extremamente doce sobre a amizade, o amor, os segredos, e a magia. Um livro que se entranha nas nossas veias e nos impede de o parar de ler. Queremos saber mais, sempre mais.
Aqui a autora apresenta-nos Josey, uma rapariga riquíssima que tem o fado de tratar da mãe. Vive numa casa oponente, cheia de luxo. No entanto esta funciona como uma gaiola. Josey não pode sair de casa a não ser quando acompanha a mãe aos eventos e compromissos marcados. Presa na sua própria casa, e vida, Josey refugia-se no seu roupeiro secreto cheio de doces e livros, onde através deles consegue ganhar asas e pairar sobre toda esta vida.
Um dia, ao abrir o roupeiro Josey encontra lá escondida Della Lee. Della Lee fugiu da sua própria vida. Uma vida amargurada e de má sorte. E escolheu o roupeiro de Josey como passagem. Aos poucos vão descobrindo mais uma da outra. E Della Lee ajuda Josey a despontar as suas asas e a deixar-se levar e arriscar os seus sonhos.
Chloe é a terceira personagem apresentada. Uma rapariga forte com um estranho segredo. Chloe adora ler. E nunca precisou de comprar um livro na sua vida. Simplesmente porque eles aparecem sempre que ela precisa. Precisa de saber gerir o dinheiro? Não há problema. Aparece um livro sobre o assunto.
Os livros que Chloe encontra agora falam de perdão, de novos rumos para um amor antigo. Mas estará Chloe disposta a ler estes livros? A deixar-se influenciar por eles?
Estas três personagens vão criar um círculo de amizade que lutará pelos sonhos de todas. Josey poderá encontrar o amor, Chloe o perdão e Della Lee a paz.
Um livro fantástico, cheio de doçura. Tão doce que os capítulos são nomeados com nomes como Smarties, Kit Kat, ou Marshmallow.
O final torna-se um pouco inesperado. A libertação pode trazer lágrimas. Sejam de alegria ou despedida. Os segredos são desvendados e a amizade esparrama-se pelas páginas doces.

Recomendo a leitura do livro para quem quiser um belo entardecer, uma doce tarde na praia, ou um refúgio no quarto.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Papisa Joana, de Lawrence Durrel - Opinião



Papisa Joana, de Lawrence Durrel

Esta é a marcante e insólita história de uma jovem mulher que viaja por toda a Europa do século IX disfarçada de monge e que acaba a comandar os destinos da cristandade durante dois anos como Papa João VIII, antes de morrer de forma repentina e surpreendente. Quando Papisa Joana foi publicado pela primeira vez em Atenas, em 1886, criou enorme polémica: o livro foi proibido e o autor excomungado. Apesar disso, e também por isso, a obra e o autor ficaram famosos, e Papisa Joana tornou-se um marco na história da literatura grega moderna. Posteriormente, Durrell, um dos mais importantes escritores britânicos do século XX, traduziu e adaptou o texto, criando uma obra de arte com cunho próprio.

Sou uma apaixonada pela história da Papisa Joana, da rapariga que conseguiu ser Papa em Roma e que séculos depois foi apagada da história.
As histórias sobre esta personagem são bastantes e pululam por todo o lado: livros, pequenos contos, fantasias, etc… Nunca se conseguindo chegar à veracidade da história, dos factos, e à existência de tal pessoa.
Graças ao Bookcrossing tive acesso a mais um livro sobre Joana. Não declinei a oferta da leitura e recebi-o em mãos com muita curiosidade.
No entanto, ao invés de um livro que se divide entre o ficcional e o histórico (como por exemplo é o caso do livro A Papisa Joana, de Donna Woolfolk Cross), este é um livro totalmente fantasioso, o que me retraiu na leitura.
Ao longo destas páginas é-nos descrito o crescimento de Joana, as suas viagens pela Europa, a sua aprendizagem, o seu amor por Frumêncio, a sua chegada a Roma e a sua ascensão a Papa, bem como a sua morte pública. No entanto, estes acontecimentos são emparelhados com descrições de milagres que o autor considera muito realistas, como chuva de sangue, pragas de gafanhotos, virgens que aparecem para castigar frades, santos que surgem para arrancar corações aos enamorados, e toda uma parafernália de acontecimentos milagrosos que tiraram qualquer sentido à história e a transformam num quase simples conto de fadas.
O livro torna-se como uma balança que não sabe se há-de pender mais para o prato da narração ou para o prato da descrição de tão interessantes milagres e histórias. E devido a esse dilema da balança a leitura torna-se demorada, pouco entusiasmante, levando-nos a querer saltar estas partes para que possamos enfim concluir a história de tão ilustre personagem.
Não é um livro que recomende a quem não se interessa pelo tema. Pois só alguém realmente interessado por este cisma religioso conseguirá sobreviver a tanto milagre. E mesmo assim… talvez não.