quinta-feira, 17 de julho de 2014

O Vestido, de Milene Emídio - Opinião

O Vestido, de Milene Emídio
Edição de Autor

Um vestido, um espelho e uma cigana surgem repentinamente na vida de Inês abrindo-lhe a porta a uma vida que até então desconhecia.

Nesta viagem sente-se atraída pelo bosque que a chama insistentemente, mas cedo percebe que o chamamento tem outra fonte bem mais obscura.

Mortes e segredos acabam por enredá-la levando-a a uma inevitável conclusão: a salvação da Herdade está apenas e só nas suas mãos.

Resta-lhe descobrir como. Porém, não esperava conhecer Diogo…

Tinha bastante curiosidade em ler este livrinho. Principalmente por ter o prazer de conhecer a autora, a Milene Emídio, e por considerar ser uma pessoa muito interessante. O livro que me veio parar às mãos foi oferecido pela própria autora ao Bookcrossing para que assim pudesse viajar.
Outra das razões de querer ler o livro é o tema em si.
Inês é uma jovem às compras numa feira quando se apaixona por um vestido na banca de uma cigana. Mas ao experimentar o vestido, Inês é arrastada para uma vida passada onde tem a incumbência de resolver assuntos pendentes. A jovem vê-se então transportada para uma Herdade que depende dela para salvar os seus habitantes e quebrar uma maldição. Pelo meio há Diogo…
Quem me conhece sabe o quão interessante este tema é para mim. Aliás, quem me conhece até percebe que esta não era a melhor altura do momento para ler algo assim… Mas a história é bastante interessante. Gosto do estilo de escrita da Milene, bastante fluído, mas ao mesmo tempo calmo, dando a cada palavra o tempo necessário.
Gostei muito das suas referências à “velha arte”, a celebração dos solstícios e equinócios, aos rituais, etc…
E exactamente por saber que a autora se poderia referir a todos estes temas é que a curiosidade pelo livro era enorme.
Devo dizer que não me senti defraudada. Pelo contrário. Foi uma leitura bastante leve, rápida (porque o livro lê-se de um sopro e agarra-nos de tal forma que não o conseguimos deixar) e muito, mas muito, interessante.
E o final do livro conseguiu, até, ser uma surpresa. Só gostava de ter um vestido como o da Inês para poder resolver assuntos pendentes ;)

Para quem quiser saber mais sobre a autora e comprar o livro podem seguir os links:


sexta-feira, 2 de maio de 2014

A Felicidade de Kati, de Jane Vejjajiva - Opinião

A Felicidade de Kati, de Jane Vejjajiva

Esta é a história de uma menina tailandesa de nove anos que nunca conheceu o pai e cuja mãe sofre de uma doença sem cura. Kati vive com os avós e não vê a mãe há cerca de cinco anos. No final da vida, a mãe chama-a para o último adeus e o seu amor materno incentiva Kati a tomar uma das decisões mais difíceis da sua vida. A Felicidade de Kati é uma história que nos fala, de forma dócil e optimista em grandes valores, tais como a vida, a morte, o amor e o destino. Uma narrativa poética sobre a importância de aceitar aquilo que não podemos mudar.

Sabem aquelas alturas em que não sabemos o que nos apetece ler? Em que corremos as estantes com os olhos e vemos as possibilidades mas parece que nenhuma nos chama?
Eu andava assim. E, pelo canto do olho, um livro sorriu-me. Um pequeno livro que na capa tem uma árvore que solta corações.
E dei-lhe uma chance.
E foi a melhor decisão que tomei!
A Felicidade de Kati é um pequeno livro com uma grande história. A sua escrita doce e fluída faz-me lembrar livros de crianças. Talvez porque a história é contada do ponto de vista de Kati, uma menina de nove anos, e por isso é descrita de maneira simples, da maneira que as crianças falam e compreendem.
Kati é uma criança tailandesa que vive com os avós. Em pequenos capítulos vai descrevendo o seu dia-a-dia. A escola, a comida que a avó faz, as conversas com o avô, a visita diária dos monges que vêm buscar as oferendas. Compreendemos que Kati nas suas descrições não fala do que mais a inquieta: onde está a mãe?
Kati recebe dos avós todo o amor, mas falta a mãe. E aos poucos percebemos que os avós não são gente do campo. Percebemos que existe uma história por trás. E essa história chega com notícias da mãe.
E Kati viaja em busca da mãe, em busca de parte da sua história perdida. E com isso tem de tomar decisões que lhe afectarão da vida. Caminhos que terá de escolher.
Tudo isto numa linguagem fluída, simples, quase poética, e ao mesmo tempo com pinceladas da inocência de uma criança.
Um livro que recomendo. Que se lê de um sopro e que nos deixa com uma lágrima no olho e ao mesmo tempo um sorriso nos lábios.

Uma agradável surpresa!

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Começar de Novo, de Sue Moorcroft - Opinião

Começar de Novo, de Sue Moorcroft

Tess Riddell considera o seu querido Land Rover Freelander mais confiável do que qualquer homem - especialmente o ex-noivo, Olly Gray. Depois deste terminar a relação por e-mail, Tess segue em frente com a vida e muda-se para um chalé perfeito no campo. Tess descobre a alegria da vida na aldeia e é lá que conhece Miles Rattenbury. Ao conversarem, descobrem que são praticamente vizinhos. Separados por todo um mundo, acabam por criar uma amizade tão intensa quanto improvável.
Porém, no momento em que a relação está prestes a tornar-se em algo mais profundo, uma velha paixão vem procurar Miles e abalar a relação…
Será o amor entre ambos forte o suficiente para ultrapassar o passado? Ou vai exigir mais do que estão preparados a dar?

Um romance comovente e divertido sobre uma mulher que aprende que é possível a vida mudar e ficar melhor.

Andava a precisar de uma leitura leve, fresca, romanceada. Começar de Novo chegou mesmo na altura certa e por isso, sem medos, agarrei-me a ele.
Não conhecia a autora, confesso, mas impressionou-me bastante… e no bom sentido. Uma escrita fluída, fácil, que agarra o leitor e o faz viajar pelas suas páginas.
A história é bem simples. Tess, a personagem principal, sofre um revês na vida quando o seu futuro marido cancela o casamento dois dias antes… por email. Decidida a mudar de vida, a esquecer o passado, seguir em frente e fechar a cadeado as lembranças dolorosas, Tess muda-se para o campo, uma aldeia maravilhosa.
Na aldeia Tess é obrigada a enfrentar os seus mais recentes medos: o medo de criar amizades, de falar com as pessoas, de confessar o seu passado. Conhece personagens fascinantes como Angel, Peter, Miles e, a minha preferida, Lucasta, a sua vizinha do lado.
Confesso que Lucasta e sua história de amor clandestina foi a minha parte preferida da leitura.
Através de uma escrita envolvente percebemos a forma como as ideias pré concebidas de Tess mudam à medida que conhece melhor Miles, ou Ratty como é conhecido. Mecânico, filho de “boas famílias” e apaixonado por carros antigos Ratty acredita que o sexo foi criado de propósito para ele, de tanta satisfação que tira ao saltar de cama em cama. Mas Tess revela-se uma agradável surpresa… e uma mais difícil cama. E, aos poucos, a relação conturbada dos dois torna a leitura ainda mais interessante e muito difícil de largar.
Mas…. há sempre um mas… Olly, o ex-noivo, está de volta para assombrar o casal. Também Franca, uma ex-namorada, está de volta. Conseguirá o amor de ambos sobreviver a tudo?
Confesso que quase no final do livro a reviravolta fez-me colocar em causa as ideias que tinha para o final. Algo que não se está à espera e que torna este livro ainda mais delicioso.
Foi, sem dúvida, uma boa leitura, uma boa descoberta. Um romance moderno, actual, instigante e sem aquelas pseudo erotices que andam na moda.

Aconselho a quem quiser passar um bom bocado, distrair-se do dia-a-dia.

terça-feira, 25 de março de 2014

Entrega Total, de Cheryl Holt - Opinião

Entrega Total, de Cheryl Holt
Quinta Essência

Com os últimos bens perdidos ao jogo pelo seu dissoluto irmão, Lady Sarah Compton viajou até uma festa numa casa de campo para desfrutar de um derradeiro momento de graciosidade e de beleza. Contudo, ignora que a ocasião é igualmente um famoso evento, em que membros da aristocracia podem realizar todas as suas fantasias sensuais e caprichos eróticos. Tão-pouco se apercebe de que o homem maravilhoso que entrou furtivamente no seu quarto é nem mais nem menos do que Michael Stevens, um libertino que dá e recebe ousadamente prazer...

Filho bastardo de um conde, Michael Stevens usufrui da sua reputação como o mais famoso sedutor de Londres. Contudo, não faz ideia de como atuar perante a beleza ruiva que quase confundira com uma nova conquista, nem de como uma ingénua poderia ter sido convidada para uma reunião onde a entediada elite de Londres satisfaz os seus desejos carnais. Quando Lady Sarah Compton recusa seguir o aviso de Michael - o de abandonar a casa para seu bem - nasce uma forte atração e ele anseia por ser o seu tutor na arte da paixão…

Após uma cirurgia e com os efeitos ainda da anestesia a baralharem os neurónios a cabeça não permite livros “pesados” ou que nos façam pensar em demasia. Sendo assim Entrega Total, de Cheryl Holt, é o livro ideal. Leve, não obriga a pensar e não obriga a prestar demasiada atenção para conseguir seguir a história.

A autora apresenta-nos um desses romances tórridos e quase pornográficos que andam na moda. Sim, não utilizo a expressão que costumo usar de “pseudo-eróticos” porque neste caso a história passa bem essa fronteira.

Lady Sarah é uma jovem solteirona (com apenas 25 anos mas sendo um livro de época é considerada solteirona) a braços com uma herança perdida, uma casa arruinada e um irmão viciado no jogo que perde até a roupa que têm no corpo. Segue o conselho do irmão e vai até à casa de campo de uma amiga para descansar. No entanto, as intenções do irmão são arranjar-lhe um marido à força que lhe pague as dívidas. E consciente disso não a avisa que a casa de campo da amiga é na verdade um local onde se desenrola uma festa libertina em que os membros da aristocracia cedem às suas fantasias e caprichos eróticos. Nessa casa conhece Michael Stevens que é compelido a um sentimento de protecção para com a rapariga e se torna seu professor nas artes do quarto.

Com uma base destas não podemos esperar muito mais do livro. Espantou-me a personagem de Sarah não ser retratada como inocente, afectada, insolente ou mimada. Pelo contrário, é uma personagem de carácter forte (o que se confirma no final).

O livro praticamente todo consiste nas descrições das “aulas” que Michael dá a Sarah. Por isso compreendem quando digo que não é necessária grande atenção para conseguir seguir a história.

O final é o esperado, sem grandes surpresas, o que torna este livro uma leitura óptima para dias de praia, dias de férias, para quem não quer algo muito complicado ou simplesmente só quer conhecer mais alguma coisa da autora.