segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Obrigada pelas Recordações, de Cecelia Ahern - Opinião

Obrigada Pelas Recordações, de Cecelia Ahern

Quando Joyce Conway acorda no hospital depois de uma queda grave, sabe que a sua vida nunca mais será a mesma. Não só perdeu o filho que carregava no ventre, como se apercebe que o seu casamento chegou a um beco sem saída. Mas estas não são as únicas consequências. Joyce simplesmente já não é a mesma pessoa. De repente disserta sobre arte e arquitectura europeias, tem hábitos alimentares completamente diferentes, fala sobre ruas parisienses onde nunca esteve… e cruza-se amiúde com um homem a quem sente que está estranhamente ligada…

Antes de começar devo dizer que gosto bastante desta autora. Apaixonei-me por ela com o P.S – Eu Amo-te e conquistou-me definitivamente com o Um Lugar Chamado Aqui. Por isso é sempre um bom motivo regressar à sua escrita.
Este livro comprei-o numa daquelas promoções que a Presença faz pelo facebook em que angariamos amigos inscritos e escolhemos livros em que só pagamos os portes de envio. Foi uma oportunidade excelente para ler algo mais da autora.
E não desiludiu…
Ao contrário dos dois livros já mencionados, e até do Para Sempre, Talvez, este livro é bastante mais leve e divertido. Capta-nos a atenção desde o primeiro minuto pela forma leve como é escrito a duas vozes. Ou seja, tanto vemos o mundo e os acontecimentos pela mão de Joyce como o vemos pela mão de Justin.
Joyce sofre uma queda grave que lhe transforma a vida por completo. No hospital recebe uma dádiva de sangue. Sangue doado por Justin, que tem pavor a agulhas mas não viu outra alternativa para captar a atenção de Sarah. Confuso? Nada disso.
A partir daqui Joyce passa a ter conhecimentos que nunca tivera. Passa a saber o ano de construção dos edifícios, o estilo arquitectónico, o tipo de pintura do quadro que vem no jornal. Curiosamente, exactamente a área de interesse de Justin, professor de arquitectura e belas-artes, além de escritor de arte. Coincidência? Talvez…
Mas quando Joyce começa a ter recordações de jantares em Paris, de uma criança loira a brincar no parque, de uma mulher, de um casamento…. Ela percebe que aqueles flashes nada mais são que recordações de outrem. E uma teoria começa a formar-se.
As personagens são fabulosas. O pai de Joyce faz-nos apaixonar por ele às primeiras linhas. A forma como fuma às escondidas e baixa a foto da falecida mulher para ela não ver… ou a maneira como rege a sua vida pelo programa que dá na televisão e as segundas-feiras no clube. Por vezes faz-nos rir com cenas como a do aeroporto ou a das filmagens do seu programa favorito.
Outra personagem hilariante é Doris, cunhada de Justin, que juntamente com Al, o marido, fazem um par engraçadíssimo.
Ou seja, um desfiar de personagens engraçadas, de situações absurdas, hilariantes e ao mesmo tempo apaixonantes. Sem dúvida um livro leve e que, no meio de tanta aventura, nos faz pensar em algo.
Já várias vezes foi discutida, e continua a ser amiúde, a questão de quanto de uma pessoa passa para a outra quando os órgãos são transplantados. Terão os órgãos “memória” do corpo que habitavam que possa influenciar o novo? Existem vários filmes romanceados em que essa questão é levantada. E o sangue? O sangue que damos a outrem?

Mas, pronto… a minha função aqui é dar-vos a minha opinião e não conjecturas sobre transfusões ou transplantações. E o que vos posso dizer é que Obrigada pelas Recordações é um excelente livro para as noites frias enroladas na manta ou à lareira, ou até no parque envoltos pelas folhas amareladas do Outono. Sempre uma boa opção. 

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Jogo de Mãos, de Nora Roberts - Opinião

Jogo de Mãos, de Nora Roberts

Uma história cheia de glamour e suspense sobre o amor, chantagem e magia.
Max Nouvelle é o patriarca de uma ilustre família de ilusionistas e ladrões de jóias, constituída por Lily - a sua companheira; Roxanne - a sua filha, tão linda quanto casmurra; e Luke - um rapaz que Max recolheu das ruas e que entretanto se transformou num homem muito interessante. No palco fazem números elaborados e, fora dele, assaltos ainda mais refinados. Durante muitos anos Roxanne e Luke deram-se como cão e gato mas agora, já adultos, descobrem que há entre eles algo que não esperavam. Mas é então que Luke, receoso que o seu passado manche a sua família adoptiva, é vítima de alguém que quer vingar-se dos Nouvelle. E vão ser precisos alguns anos em fuga antes que ele volte e, juntamente com Roxanne, dê o golpe mais audacioso das suas vidas.
Com Jogo de Mãos, Nora Roberts revela-nos um mundo glamoroso onde a paixão e o mistério se entrelaçam e nada parece o que é.

Já tinha este livro na estante há algum tempo. Empréstimo de uma amiga que se foi prolongando… e prolongando. Já tinha pegado nele, confesso, umas três vezes. Mas havia sempre algo que se metia no meio e não passava das primeiras páginas.
Desta vez foi de vez!
Não foi dos livros da Nora Roberts que mais me seduziu. Tem uma história fluida e interessante. As personagens são rebuscadas e intrigantes. A história de vida de Luke é impressionante e proporciona o lado negro da narrativa. Jogo de Mãos é uma história de amor, traição, dever, perdão e agradecimento. Tudo envolvido com uma pitada de magia.
Os Nouvelle são mágicos reconhecidos. Encantam quem os vai ver com os seus brilhantes malabarismos e magias de deixar qualquer um de boca aberta. Num plano familiar são uma família como as outras que coloca o bem estar de todos em principal plano. O segredo? Equilibrar a magia com o roubo dos ricos. Bem… não é bem roubo. É apenas uma maneira diferente de redistribuir a riqueza por quem precisa.
Luke, fugido de casa, é atraído por um cartaz e sem saber como de um momento para o outro vê-se membro daquela família. É bem acolhido e gosta de todos… excepto Roxanne. A chata miúda ruiva filha de Max.
Pelas palavras viajamos pela infância dos dois, pela adolescência, pela crescente ebulição que ocorre entre os dois.
No meio das ilusões mágicas encontramos uma história de amor bem típica da autora. A relação de Roxanne e Luke é bastante conturbada e a cada capítulo ganha um novo ingrediente.
A minha personagem preferida? Sem dúvida Max. O ilusionista que tudo faz pela família e encara a magia como um amor. De tal forma que enceta uma busca incessante pela pedra filosofal.

Não é dos melhores livros da autora, confesso. Mas como leitura de férias, como leitura intermédia, é bastante satisfatório e proporciona umas quantas horas de distracção.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

O Vestido, de Milene Emídio - Opinião

O Vestido, de Milene Emídio
Edição de Autor

Um vestido, um espelho e uma cigana surgem repentinamente na vida de Inês abrindo-lhe a porta a uma vida que até então desconhecia.

Nesta viagem sente-se atraída pelo bosque que a chama insistentemente, mas cedo percebe que o chamamento tem outra fonte bem mais obscura.

Mortes e segredos acabam por enredá-la levando-a a uma inevitável conclusão: a salvação da Herdade está apenas e só nas suas mãos.

Resta-lhe descobrir como. Porém, não esperava conhecer Diogo…

Tinha bastante curiosidade em ler este livrinho. Principalmente por ter o prazer de conhecer a autora, a Milene Emídio, e por considerar ser uma pessoa muito interessante. O livro que me veio parar às mãos foi oferecido pela própria autora ao Bookcrossing para que assim pudesse viajar.
Outra das razões de querer ler o livro é o tema em si.
Inês é uma jovem às compras numa feira quando se apaixona por um vestido na banca de uma cigana. Mas ao experimentar o vestido, Inês é arrastada para uma vida passada onde tem a incumbência de resolver assuntos pendentes. A jovem vê-se então transportada para uma Herdade que depende dela para salvar os seus habitantes e quebrar uma maldição. Pelo meio há Diogo…
Quem me conhece sabe o quão interessante este tema é para mim. Aliás, quem me conhece até percebe que esta não era a melhor altura do momento para ler algo assim… Mas a história é bastante interessante. Gosto do estilo de escrita da Milene, bastante fluído, mas ao mesmo tempo calmo, dando a cada palavra o tempo necessário.
Gostei muito das suas referências à “velha arte”, a celebração dos solstícios e equinócios, aos rituais, etc…
E exactamente por saber que a autora se poderia referir a todos estes temas é que a curiosidade pelo livro era enorme.
Devo dizer que não me senti defraudada. Pelo contrário. Foi uma leitura bastante leve, rápida (porque o livro lê-se de um sopro e agarra-nos de tal forma que não o conseguimos deixar) e muito, mas muito, interessante.
E o final do livro conseguiu, até, ser uma surpresa. Só gostava de ter um vestido como o da Inês para poder resolver assuntos pendentes ;)

Para quem quiser saber mais sobre a autora e comprar o livro podem seguir os links:


sexta-feira, 2 de maio de 2014

A Felicidade de Kati, de Jane Vejjajiva - Opinião

A Felicidade de Kati, de Jane Vejjajiva

Esta é a história de uma menina tailandesa de nove anos que nunca conheceu o pai e cuja mãe sofre de uma doença sem cura. Kati vive com os avós e não vê a mãe há cerca de cinco anos. No final da vida, a mãe chama-a para o último adeus e o seu amor materno incentiva Kati a tomar uma das decisões mais difíceis da sua vida. A Felicidade de Kati é uma história que nos fala, de forma dócil e optimista em grandes valores, tais como a vida, a morte, o amor e o destino. Uma narrativa poética sobre a importância de aceitar aquilo que não podemos mudar.

Sabem aquelas alturas em que não sabemos o que nos apetece ler? Em que corremos as estantes com os olhos e vemos as possibilidades mas parece que nenhuma nos chama?
Eu andava assim. E, pelo canto do olho, um livro sorriu-me. Um pequeno livro que na capa tem uma árvore que solta corações.
E dei-lhe uma chance.
E foi a melhor decisão que tomei!
A Felicidade de Kati é um pequeno livro com uma grande história. A sua escrita doce e fluída faz-me lembrar livros de crianças. Talvez porque a história é contada do ponto de vista de Kati, uma menina de nove anos, e por isso é descrita de maneira simples, da maneira que as crianças falam e compreendem.
Kati é uma criança tailandesa que vive com os avós. Em pequenos capítulos vai descrevendo o seu dia-a-dia. A escola, a comida que a avó faz, as conversas com o avô, a visita diária dos monges que vêm buscar as oferendas. Compreendemos que Kati nas suas descrições não fala do que mais a inquieta: onde está a mãe?
Kati recebe dos avós todo o amor, mas falta a mãe. E aos poucos percebemos que os avós não são gente do campo. Percebemos que existe uma história por trás. E essa história chega com notícias da mãe.
E Kati viaja em busca da mãe, em busca de parte da sua história perdida. E com isso tem de tomar decisões que lhe afectarão da vida. Caminhos que terá de escolher.
Tudo isto numa linguagem fluída, simples, quase poética, e ao mesmo tempo com pinceladas da inocência de uma criança.
Um livro que recomendo. Que se lê de um sopro e que nos deixa com uma lágrima no olho e ao mesmo tempo um sorriso nos lábios.

Uma agradável surpresa!