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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
Desconhecidos num Casamento, de Alison Espach
Achei que estava a agarrar num livro leve. Enganei-me... É um livro com camadas. Pequenas camadas que vamos despindo às personagens durante os dias que antecedem um casamento.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
Dores Crónicas, de Bruno Nogueira
2025 acabou com os pensamentos de Bruno Nogueira. Já no seu primeiro livro me tinha surpreendido o quão assertivo ele pode ser.
Por isso deixo as palavras dele na crónica cujo titulo dizia "Ler de livre e espontânea vontade":
"Ler
é um acto de entrega consentido:são sonhos, medos, amores, desamores,
impossibilidades e heróis espalmados em folhas de papel. E depois vem
uma possibilidade deslumbrante de conseguir levantar aquelas letras e
dar-lhes o que a nossa imaginação tiver para elas".
domingo, 3 de dezembro de 2017
O Labirinto dos Espíritos, de Carlos Ruiz Zafón - Opinião
O Labirinto dos
Espíritos, de Carlos Ruiz Zafón
Na Barcelona de fins dos anos de 1950, Daniel Sempere já não
é aquele menino que descobriu um livro que havia de lhe mudar a vida entre os
corredores do Cemitério dos Livros Esquecidos. O mistério da morte da mãe,
Isabella, abriu-lhe um abismo na alma, do qual a mulher Bea e o fiel amigo
Fermín tentam salvá-lo.
Quando Daniel acredita que está a um passo de resolver o
enigma, uma conjura muito mais profunda e obscura do que jamais poderia
imaginar planta a sua rede das entranhas do Regime. É quando aparece Alicia
Gris, uma alma nascida das sombras da guerra, para os conduzir ao coração das
trevas e revelar a história secreta da família… embora a um preço terrível.
O Labirinto dos
Espíritos é uma história eletrizante de paixões, intrigas e
aventuras. Através das suas páginas chegaremos ao grande final da saga iniciada
com A Sombra do Vento, que alcança aqui
toda a sua intensidade, desenhando uma grande homenagem ao mundo dos livros, à
arte de narrar histórias e ao vínculo mágico entre a literatura e a vida.
Conhecem aquela
sensação de não se quererem separar de um livro? Que vão adiando a leitura das
páginas finais para que nunca acabe? E que quando se acaba de o ler parece que
acordámos de um sonho, olhamos em redor e parece que nem nos lembramos onde
estamos ou como chegámos ali?
Já não sentia isso
há muito tempo. Acabei O Labirinto dos
Espíritos há uma semana, e embora soubesse o que queria escrever para
publicar, não o conseguia fazer. Porque escrever era como se estivesse a
aceitar que aquela história para mim acabou, que não iria voltar àquela
Barcelona, que aquelas pessoas que me fizeram como parte da sua família
desapareceram para sempre….
Com A Sombra do Vento aprendi a conhecer e a
amar a família Sempere. A sonhar com a possibilidade vã de que um lugar como o Cemitério
dos Livros Esquecidos realmente pudesse existir. Daniel Sempere tornou-se
aquele primo com que crescemos e partilhamos as aventuras. Fermín como aquele
tio maluco que toda a família tem e que é o primeiro a alinhar nas loucuras dos
mais novos. E assim, aos poucos, fui entrando naquela família, absorvendo os
seus laços afectivos, as suas vivências e tornando-as, um pouco, minhas.
As primeiras
páginas de O Labirinto dos Espíritos
são como retornar à família depois de uns tempos separados. Os primos estão lá,
os tios, o avô. E todos contam as suas aventuras enquanto estivemos longe. Uma
reunião de família. Que sabe sempre bem e que acalenta.
Confesso que não
li os dois livros anteriores. Que embora mencionando as personagens não as
aprofunda. E não fez falta para perceber este novo, e último, capítulo.
Daniel cresceu.
Casou com a sua Bea e tem um menino a quem chamou de Julian, como o Carax. Mas
Daniel já não é aquele menino de sorriso fácil e encantado com o mundo. A morte
da mãe, Isabella, pesa-lhe cada vez mais. Alberga dentro de si o sentimento
crescente de vingança.
Fermín casou com
Bernarda. Continua a ser o ajudante da livraria. Mas guarda em si a tristeza de
não ter conseguido cumprir a promessa que fez a um amigo, salvar-lhe a filha
Alicia, que os bombardeios sobre Barcelona fizeram desaparecer.
Don Mauricio
Valls, ministro, homem rico e famoso, teme pela sua segurança e da sua filha,
Mercedes. As cartas ameaçadoras que recebe assustam-no cada vez mais. Até que
desiste de fugir e segue até à “entrada do labirinto”.
Alicia Gris, uma
mulher letal, treinada para matar, ludibriar e resolver casos impossíveis,
guarda marcada na pele, e nos ossos, os bombardeios de Barcelona. Tirada das
ruas por Leandro, que a forma e toma conta dela, é encarregada por este e pelos
altos comissariados em descobrir o paradeiro do ministro Valls, desaparecido
sem deixar rasto.
Como num novelo,
numa teia, vamos conhecendo melhor cada uma destas personagens e a forma como, surpreendentemente,
cada uma delas tem uma história que as liga a todos os outros. E quando
pensamos que a história se está a desenrolar por um caminho previsível vem
Carlos Zafón e tira-nos o tapete, deixando-nos novamente “à nora” em busca do
coração deste livro.
E o final? Sem
querer estragar o final, é como um relato de todas as nossas personagens, anos
depois, por quem viveu dentro de toda esta história como mero observador. E
traz com ele uma surpresa. Uma personagem desaparecida…
Confesso que
fiquei apaixonada por este livro. Ainda agora enquanto escrevo apetece-me
voltar ao início e ler tudo novamente para que não perca este encantamento.
Para que não perca estas personagens. A narrativa está tão envolvente que nos
prende sem sequer nos apercebermos. Quando damos conta já estamos no centro do
labirinto.
Recomendo.
Recomendo vivamente. Uma leitura lindíssima.
E depois digam o
que acharam…
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
O Miniaturista, de Jessie Burton - Opinião
O
Miniaturista, de Jessie Burton
Num
dia de outono de 1686, a jovem Nella Oortman, recém-casada com um próspero
mercador de Amesterdão, Johannes Brandt, chega à cidade na expetativa da vida
esplendorosa que este casamento auspicioso lhe promete. Mas, entre a
amabilidade distante do marido e a presença repressiva da cunhada, Nella
sente-se sufocar na sua nova existência.
Até
que um dia, Johannes lhe oferece uma réplica perfeita, em miniatura, da casa
onde vivem. Nella encomenda então a um miniaturista algumas peças para
ornamentar a casa. Mas algo de surpreendente acontece: novas encomendas de
miniaturas continuam a chegar sem terem sido solicitadas, como presságios
silenciosos de futuras tragédias.
Um
romance de estreia magnífico, sobre amor e traição, que evoca com grande
sensualidade a atmosfera da Amesterdão do século XVII.
Sentei-me no meio de uma pequena
biblioteca privada, que mesmo sendo pequena consegue ser muito recheada, com a
liberdade de escolher o que quisesse ler. Ao canto este livrinho chamou-me a atenção.
O dono da bela biblioteca já o tinha começado a ler mas deu-me o privilégio de
o trazer comigo emprestado e ser eu a primeira a ler.
E que previlégio… e que boa
escolha!
Não tinha ouvido falar deste livro.
Acho que andei um pouco afastada do mundo literário. E descubro então que
muitos falavam dele. Quase sempre bem.
E no entanto foi despojada de
qualquer expectativa que o abri e comecei a ler.
Logo ao início um capítulo
estranho. Como se aterrássemos no meio de uma história onde nada nos é
explicado. Assim que termina percebemos que começámos pelo fim. A história só
agora vai começar.
Somos apresentados a Nella com a
sua chegada a casa do marido. O marido que não está em casa para a receber. O
marido que apenas viu duas vezes mas que ouviu dizer que é muito rico. Quem a
recebe são os criados e a cunhada.
Tudo personalidades estranhas a
Nella. Marin, a cunhada, é um ser complicado, devoto à religião. É ela quem
gere a casa nas ausências de Johannes. Cornélia é uma criada que por vezes
esquece as reservas e esconde um passado de necessidade. E Otto. O secretário,
e criado, negro de Johannes, que tanto dá que falar em Amesterdão por incutir
medo e curiosidade em toda a população.
São estas as personagens principais
que nos acompanharão ao longo da história. História essa que não se faz sem a
famosa casa de bonecas que Johannes oferece à sua jovem esposa, como prenda de
casamento e compensação pelas suas ausências.
Nella depressa pede a um
miniaturista que lhe faça algumas peças. Mas não são só as peças que pediu que o
miniaturista manda entregar. E é a partir dessas peças que Nella recebe, sem
pedir, que começa uma estranha intriga.
A identidade do miniaturista
intriga Nella. Mas não só. As suas peças trazem com elas mensagens, presságios,
estranhos acontecimentos. Reviravoltas na estranha vida destas personagens.
Reviravoltas que nem nós, os leitores, esperamos.
O Miniaturista, torna-se assim um
livro fascinante. Fascinante pela história que conta, pelo ambiente que
transmite, pelo que ensina de história sobre Amesterdão do século XVII. Fascinante
pela intriga, pelas personagens tão fáceis de aprender a gostar, pelas
reviravoltas impressionantes.
Acreditem que o final não foi mesmo
nada aquilo que esperava. Conseguiu sempre surpreender. Pela positiva.
É por isso um livro que recomendo.
Muito fácil de ler, de compreender, e quase viciante.
Aconselho, sem dúvidas!
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Merlim, de Michel Rio - Opinião
Merlim,
de Michel Rio
“Tenho
cem anos. Um século é uma eternidade para se viver, um pensamento fugidio em
que tudo, os começos, a consciência, a invenção e o fracasso, se mistura numa
experiência sem tempo. Trago em mim o luto de um mundo e de todos aqueles que o
povoaram. Sou o único sobrevivente desse mundo. Até Deus está a morrer e Satã
não está melhor…
…Tenho
cem anos. Sou no sonho de Morgana e habito, solitário, um planeta errante que
em vão se aquece nos raios de um centro sem vida e sem motivo.
E
Morgana é no meu sonho…”
Merlim é o primeiro livro de uma
trilogia assinada por Michel Rio. Os volumes seguintes são Morgana e Artur.
Como o nome indica é mais uma
visita ao reino de Camelot e à vida destas personagens intemporais.
Em Merlim conhecemos mais um pouco
a vida do mago que povoa a imaginação de tantos. Mas na realidade, a magia
deste livro existe apenas numa mente inteligente e superior que percebe as
rodas que mexem o mundo.
Criado para ser rei, Merlim é
educado para ser guerreiro e líder. Mas cedo a sua inteligência e perspicácia
deixam antever um estratega e um sábio. Cedendo a coroa a Uter, Merlim passa a
conselheiro do rei e cria o que será Camelot e a távola redonda. Após o
casamento de Uter leva o filho deste, Artur, para ser criado longe dos laços
familiares e para que obtenha uma educação como a de dele próprio: de guerreiro
e rei.
É Merlim que, também, toma para si
a educação de Morgana, meia-irmã de Artur, que o surpreende com uma mente tão
parecida com a sua.
É estranho para alguém que lê
apaixonadamente as Brumas de Avalon, ler um Merlim que fala em Deus e Satã. Que
fala de religiões antigas sem lhe pertencer e que não possui magia alguma. A
Avalon de Michel Rio é apenas uma ilha esquecida no tempo e no espaço que
servirá de prisão a Morgana. Não existem sacerdotisas nem Excalibur.
Não era a leitura que estava à
espera, confesso. No entanto, não deixa de ser uma leitura interessante. É a
visão do mundo de um homem sábio que sabe como mexe o mundo, como o fazer rodar
e que a vida não é linear.
Os próximos títulos da trilogia
estão já em lista de espera.
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Convite lançamento livro em Guimarães
Quem está pelo norte não pode perder o lançamento do livro "A Dimensão Cultural da Integração Europeia - Capitais Europeias da Cultura", de Ruthia Portelinha, com a chancela da Chiado Editora.
Sexta feira, dia 21 pelas 15 horas na Biblioteca Municipal Raul Brandão, em Guimarães. Uma bela cidade onde serão os festejos de encerramento de Guimarães Capital Europeia da Cultura.
Não percam!
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Livro da Semana da Presença
O Fim do Alfabeto, de CS Richardson
Ambrose Zephyr descobre de repente que o tempo se está a esgotar quando o médico anuncia que, devido a uma misteriosa doença, lhe resta um mês de vida. Por isso, ele e a mulher, Zappora Ashkenazi, decidem viajar para todos os sítios de que ele mais gostou ou que mais queria ver, de A a Z, começando por Amesterdão. Em Istambul, porém, Ambrose e Zappora dão ao resto do percurso um rumo inesperado, ao fazerem as pazes com o tempo perdido e as muitas perguntas deixadas para trás… O Fim do Alfabeto é uma história mágica, evocativa e inesquecível que nos leva numa viagem espiritual até às profundezas do amor, da perda e da vida.
Até dia 1 de Janeiro com desconto e portes grátis na Presença
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Histórias e lendas africanas com a Caminho
Histórias e Lendas de África, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada com ilustrações de Carlos Marques
A Caminho sugere como prenda de natal o novo livro de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada Histórias e Lendas de África com ilustrações de Carlos Marques. Este livro inclui contos tradicionais, lendas, narrativas históricas e curiosidades de vários países africanos e de vários povos que representam diferentes culturas deste imenso e ainda misteriosos continentes. Inclui também mapas, informações gerais sobre geografia, populações, belezas naturais, costumes, bem como sobre as grandes famílias das mais de mil línguas africanas e sobre o Vale de Rift, berço da humanidade. Uma obra que despertará um interesse novo pela extraordinária riqueza cultural africana a qualquer leitor e proporcionará um reencontro com as raízes aos leitores de origem africana.
Camões na Caminho
Dicionário de Luís de Camões, vários
O Dicionário de Luís de Camões, o primeiro dedicado à vida e obra do poeta, elaborado por especialistas nacionais e estrangeiros sob coordenação de Vítor Aguiar e Silva constitui um vasto e rico Thesaurus da camonística contemporânea. Os seus cerca de duzentos artigos, da autoria dos mais reputados camonistas nacionais e estrangeiros, proporcionam ao leitor uma informação abundante, rigorosa e actualizada sobre a biografia, a obra lírica, épica, dramatúrgica e epistolar de Camões, sobre a sua contextualização histórico-literária, sobre os seus problemas filológicos, sobre a influência e a crítica camonianas nos diversos períodos da literatura portuguesa e, numa perspectiva comparatista, sobre a recepção de Camões nas principais literaturas mundiais, desde a espanhola à brasileira e à norte-americana.
Novidades Casa das Letras
Tu És O Meu Coração, de Alan Lazar
O maior receio do dono de um cão, de certa forma ainda pior do que o da morte de um animal de estimação querido, é que ele se perca, que desapareça durante dias, depois semanas, talvez para sempre. Tu És o Meu Coração é a história de Nelson, um cão que se deixa levar pela sua curiosidade e se perde, separando-se assim da sua dona.
Esta comovente história segue Nelson na sua caminhada de oito anos longe de casa até ao dia em que, milagrosamente, se reúne com a sua família. Durante esta jornada, Nelson conserva o espírito optimista e o desejo de reencontrar o seu Grande Amor, a sua primeira dona, uma pianista de nome Katey. Nelson nunca deixa de suspirar por ela e, por sua vez, Katey nunca deixa de o procurar.
O talentoso retracto que Alan Lazar faz das capacidades e da vida emocional de Nelson enaltece os extraordinários poderes mágicos dos cães, mostrando o quanto este pequeno rafeiro desengonçado, com um coração corajoso, nos pode ensinar, a nós, humanos. Esta história enternecedora sobre a família, a condição humana e a saudade, vai tocar bem fundo no coração de cada leitor e recordar o poder cicatrizante da sobrevivência e do amor persistente.
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