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quarta-feira, 27 de agosto de 2025

A Musa


A Musa, by Jessie Burton 

Conheci a autora no Miniaturista, que se tornou um dos meus preferidos. Por isso arrisquei com A Musa na esperança de manter o interesse.
O livro é bastante interessante, a escrita fluída. Contado a dois tempos. Anos 30, em Espanha, e anos 60 em Londres. A ligação entre as duas histórias é um quadro.
Embora a arte seja um dos temas principais (a criação, a venda) são abordados outros temas bastante interessantes. Nos anos 30 é abordada a pré guerra, a luta contra o fascismo em Espanha, a resistência. Nos anos 60 somos apanhados pelo racismo e pelos segredos. Segredos que todas as personagens guardam.
Confesso que demorou mais a ler porque a dada altura o livro fica um pouco monótono. Mas a cerca de 200 páginas do fim Odelle descobre o breve fio de ligação que nos vai ajudar a unir as duas histórias. E a partir daí a avidez de saber quem é realmente Quick e o que aconteceu aos personagens de Espanha toma-nos por completo.
A Musa não chega aos pés do Miniaturista. Mas é uma leitura agradável e que nos deixa ao mesmo tempo um sabor agre na boca, quando nos faz pensar na teia de segredos que o envolve.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

O Miniaturista, de Jessie Burton - Opinião

O Miniaturista, de Jessie Burton





Num dia de outono de 1686, a jovem Nella Oortman, recém-casada com um próspero mercador de Amesterdão, Johannes Brandt, chega à cidade na expetativa da vida esplendorosa que este casamento auspicioso lhe promete. Mas, entre a amabilidade distante do marido e a presença repressiva da cunhada, Nella sente-se sufocar na sua nova existência.
Até que um dia, Johannes lhe oferece uma réplica perfeita, em miniatura, da casa onde vivem. Nella encomenda então a um miniaturista algumas peças para ornamentar a casa. Mas algo de surpreendente acontece: novas encomendas de miniaturas continuam a chegar sem terem sido solicitadas, como presságios silenciosos de futuras tragédias.
Um romance de estreia magnífico, sobre amor e traição, que evoca com grande sensualidade a atmosfera da Amesterdão do século XVII.

Sentei-me no meio de uma pequena biblioteca privada, que mesmo sendo pequena consegue ser muito recheada, com a liberdade de escolher o que quisesse ler. Ao canto este livrinho chamou-me a atenção. O dono da bela biblioteca já o tinha começado a ler mas deu-me o privilégio de o trazer comigo emprestado e ser eu a primeira a ler.
E que previlégio… e que boa escolha!
Não tinha ouvido falar deste livro. Acho que andei um pouco afastada do mundo literário. E descubro então que muitos falavam dele. Quase sempre bem.
E no entanto foi despojada de qualquer expectativa que o abri e comecei a ler.
Logo ao início um capítulo estranho. Como se aterrássemos no meio de uma história onde nada nos é explicado. Assim que termina percebemos que começámos pelo fim. A história só agora vai começar.
Somos apresentados a Nella com a sua chegada a casa do marido. O marido que não está em casa para a receber. O marido que apenas viu duas vezes mas que ouviu dizer que é muito rico. Quem a recebe são os criados e a cunhada.
Tudo personalidades estranhas a Nella. Marin, a cunhada, é um ser complicado, devoto à religião. É ela quem gere a casa nas ausências de Johannes. Cornélia é uma criada que por vezes esquece as reservas e esconde um passado de necessidade. E Otto. O secretário, e criado, negro de Johannes, que tanto dá que falar em Amesterdão por incutir medo e curiosidade em toda a população.
São estas as personagens principais que nos acompanharão ao longo da história. História essa que não se faz sem a famosa casa de bonecas que Johannes oferece à sua jovem esposa, como prenda de casamento e compensação pelas suas ausências.
Nella depressa pede a um miniaturista que lhe faça algumas peças. Mas não são só as peças que pediu que o miniaturista manda entregar. E é a partir dessas peças que Nella recebe, sem pedir, que começa uma estranha intriga.
A identidade do miniaturista intriga Nella. Mas não só. As suas peças trazem com elas mensagens, presságios, estranhos acontecimentos. Reviravoltas na estranha vida destas personagens. Reviravoltas que nem nós, os leitores, esperamos.
O Miniaturista, torna-se assim um livro fascinante. Fascinante pela história que conta, pelo ambiente que transmite, pelo que ensina de história sobre Amesterdão do século XVII. Fascinante pela intriga, pelas personagens tão fáceis de aprender a gostar, pelas reviravoltas impressionantes.
Acreditem que o final não foi mesmo nada aquilo que esperava. Conseguiu sempre surpreender. Pela positiva.
É por isso um livro que recomendo. Muito fácil de ler, de compreender, e quase viciante.

Aconselho, sem dúvidas!