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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Ilha de Vidro, de Nora Roberts
Se o segundo livro desta trilogia me pareceu mais lento e enfadonho, este terceiro foi uma explosão de interesse. Agarrou-me desde o primeiro capítulo e prendeu-me quando, após o segundo livro, estive quase a desistir da trilogia.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
Baía dos Suspiros, de Nora Roberts
Depois de conseguir a primeira estrela, e de
vencer a batalha com a deusa Nerezza, os guardiões são levados até
Capri, a bela ilha italiana. Agora todos os segredos foram desvendados,
cada um dos guardiões confia no todo, como uma unidade.
Enquanto o primeiro livro se centra em Sasha, este livro vai centrar-se em Annika.
Também Nerezza arranja um cúmplice, que alguns dos guardiões já conhecem de aventuras passadas.
Li
o primeiro livro avidamente. E comecei logo o segundo livro. No
entanto, talvez por se centrar em Annika, pareceu-me que este livro era
mais parado e levei mais tempo para o ler.
Mas é sempre uma leitura agradável, mesmo que lenta
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
Estrelas da Fortuna, de Nora Roberts
Um livro interessante. O primeiro de uma
trilogia. A ideia de partida do livro é engraçada. Três deusas que
formam três estrelas para presentear uma rainha. E uma quarta deusa, da
escuridão, que tenta conquistar os mundos para que a escuridão reine.
Nos
dias de hoje conhecemos Sasha. Pintora. Que pinta com mestria e
demasiado detalhe desconhecidos que lhe aparecem em sonhos. Movida por
uma vontade quase divina viaja até Corfu, na Grécia, onde os rostos nas
suas telas se tornam reais.
A personagem de Sasha é bastante interessante. Mas a de Bran conquistou-me à primeira leitura. Assim como Annika.
Os seis têm que encontrar as estrelas antes que a deusa da escuridão as encontre.
A
leitura é leve e bastante cativante. A imaginação consegue levar-nos às
ilhas, aos bosques, às aldeias com precisão tal é a escrita da autora.
Uma boa surpresa!
sexta-feira, 6 de janeiro de 2017
O Mistério de Natal, de Jostein Gaarder - Opinião
O Mistério de Natal, de Jostein Gaarder
Pretendendo ser um
conto de Natal empolgante, O Mistério de
Natal conta-nos a
história de um calendário mágico ao qual se encontra subjacente um enigma. Ao
longo de todo o livro, enquadrado por magníficas ilustrações, Jostein Gaarder
consegue mais uma vez criar uma atmosfera intrigante que envolve, cativa e
fascina o leitor. E como elementos aliciantes, o autor utiliza um grupo de
peregrinos que viaja em sentido contrário ao do tempo, sendo eles uma menina,
alguns anjos e pastores, várias ovelhas e um pequeno cordeiro de pelo macio.
Uma história de Natal fascinante que confere um novo sentido ao mistério do
nascimento de Jesus.
O
Mistério de Natal é um clássico cá em casa. Não é à toa que Jostein Gaarder é
um dos meus autores preferidos. Com muita pena minha já há alguns anos que não
publica nada. Então resta-me revisitar velhos “amigos”.
Este
livro é revisitado todos os natais. Há quem compre calendários de chocolate
para abrir uma janela cada dia e descobrir um novo chocolate. Eu leio O
Mistério de Natal.
O
livro funciona exactamente como um calendário de natal, cada capítulo
corresponde a um dia. São assim 24 capítulos que nos acompanham desde o início
de Dezembro até à véspera de Natal.
A
história? Simples e ao mesmo tempo tão complexa. Joakim é um menino que um dia
descobre um velho calendário de natal numa livraria. O próprio dono da livraria
não sabe como lá foi parar. Feliz da vida o pequeno leva-o para casa. E no dia
1 abre a primeira janela… A partir daí entra na fascinante aventura de uma
menina que foge de um centro comercial atrás de um cordeiro e que na fuga
encontra um anjo. O anjo explica-lhe que vão encabeçar uma longa viagem até ao
nascimento de Jesus. Uma viagem no espaço, de Noruega até Belém, e no tempo, do
século XX ao exacto dia do nascimento do menino. Pelo caminho, encontram outras
personagens que os acompanham ao destino final.
Parece
uma história bastante simples, não parece?
Mas
se pelo meio descobrirmos que na realidade naquela data descrita no calendário
desapareceu uma menina com o mesmo nome, do mesmo centro comercial? E que uma
foto dessa menina, já mais velha, aparece misteriosamente em locais onde a
história passou? Aqui já é o “dedo” de Jostein Gaarder a trabalhar. E mais
coisas interessantíssimas que não posso contar pois seriam spoilers.
Quem
me conhece deve-se estar a perguntar a esta altura porque raio leio este livro
todos os natais quando eu nem sequer sou católica?
Bem,
é fácil. Para além de ser de um dos meus autores preferidos, devo dizer que
este livro realmente me fascina. Há histórias nas entrelinhas da história
principal que são fascinantes. A ideia de que realmente tudo aquilo pode ter
acontecido. A mística de uma menina perdida e raptada por anjos. A eterna
filosofia do autor que nos faz pensar e duvidar de todo o que é físico e certo.
É isso que me fascina…
Porque
não procurar o livro e guardá-lo para o próximo natal? Podem ler com os filhos
que eles também vão adorar. Aliás, toda a estética do livro está feita para ser
um livro infantil.
Acreditem
que não se vão arrepender.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Margarita e o Mestre, de Mikhail Bulgakov - Opinião
Margarita
e o Mestre, de Mikhail Bulgakov
Margarita
e o Mestre publicado pela primeira vez na revista Moskva, mais de vinte anos
após a morte do autor — a primeira parte em Novembro de 1966 e a segunda em
Janeiro do ano seguinte. Mikhail Bulgákov trabalhara nesta sua obra durante
mais de dez anos, tendo escrito diferentes versões. A última foi ditada à sua
companheira Elena Bulgákova, quando o autor se encontrava já muito doente, em
Março de 1940. O romance é composto por duas narrativas ligadas entre si — uma
passa-se na Moscovo dos anos 30 e a outra na Jerusalém antiga. As personagens
são estranhas, complexas, ambíguas e algumas delas sobrenaturais, como Woland.
As principais são o Mestre e a sua amante, Margarita. Como afirma Samuel
Thomas, «o romance pulsa de maliciosa energia e invenção. Por vezes uma dura
sátira da vida soviética, uma alegoria religiosa da dimensão do Fausto, de
Goethe, e uma indomável fantasia burlesca, é uma obra de riso e terror, de
liberdade e servidão — um romance que explode as verdades oficiais com a força
de um carnaval descontrolado». A primeira edição desta tradução foi publicada
em 1991, estando há muito esgotada.
Margarita
e o Mestre surge nas minhas mãos
com uma colecção editada pelo jornal Público há quase 10 anos, a colecção Mil
Folhas. Até então Bulgakov era um estranho para mim. Um estranho do qual nunca
tinha ouvido falar…
Quando o li a primeira vez, nessa
altura, ficou logo como um dos meus livros preferidos. Esta não é, portanto, a minha
primeira impressão do livro. No entanto, na altura nada escrevi sobre o mesmo e
com a crescente vontade de voltar ao seu mundo juntou-se o útil ao agradável.
Bulgakov transporta-nos para um
mundo quase possível de equiparar a Murakami e o seu Kafka à Beira-Mar. Porquê? Pela história quase surreal à qual nos
transporta.
Dois escritores russos encontram-se
no Largo do Patriarca onde se entregam a uma discussão sobre a existência de
Jesus Cristo. A eles junta-se um estrangeiro de nome Woland, que nenhum
conhece, que garante a verdade da existência de Jesus. Como? Ele esteve lá
quando Cristo foi crucificado.
A partir daqui sai uma discussão
sobre o bem e o mal, sobre Deus e o Diabo, com a forte convicção dos dois
escritores de que tais figuras não existem contrariada prontamente pelo
estrangeiro.
Até aqui tudo normal, não fossem os
acontecimentos seguintes. Com a morte de Berlioz, um dos escritores, em poucos
minutos, Ivan, o outro escritor, crê que a culpa é do estrangeiro que a previra
e dos seus “capangas” onde se inclui um grande gato preto que fala e anda nas
patas traseiras. Começa uma perseguição de Ivan a Woland que acaba com o poeta
num hospício onde conhece um paciente que se intitula Mestre.
Depressa descobrimos que Woland
tinha razão ao assegurar a existência das duas entidades. Isto porque ele é o
próprio Satã acabado de chegar a Moscovo para avaliar como são as pessoas e a
cidade nesta data mais moderna. Woland não vai apenas mexer com a vida de Ivan.
Ao instalar-se na antiga casa de Berlioz coloca a nu todos os podres de pessoas
que o rodeavam.
Enquanto lemos a narrativa de
Woland e Moscovo somos surpreendidos por capítulos que descrevem a crucificação
de Jesus Cristo no tempo de Pôncio Pilatos. Quando “ouvimos” o Mestre contar a
Ivan a sua história percebemos que esses capítulos mais não são que o
manuscrito do Mestre e a causa da sua estadia no hospício. Com ele descobrimos
ainda a sua história de amor com Margarita.
Podemos dividir o livro em duas
partes. Uma primeira com a aparição de Woland, as mortes, os desaparecimentos,
a loucura instalada em Moscovo com coisas surreais a acontecer em todo o lado.
E uma segunda parte em que conhecemos a história do Mestre e de Margarita, que
afinal dão o título ao livro, e o papel de Margarita na festa de Woland.
Sim, porque Woland, o Satã, dá
todos os anos um baile na Terra. E todos os bailes precisam de uma rainha. Por
isso em cada local, todos os anos, é escolhida uma “rainha” diferente para ser
a anfitriã. Aqui temos uma referência à rainha Margot, sendo que todas as
anfitriãs têm de possuir o nome de Margarita (consoante a tradução dada em cada
país).
Margarita aceita participar no
baile tendo e vista a sua reunião com o Mestre. E assim temos um segundo
capítulo em que nos é descrito o baile, a versão de Margarita da sua relação
com o Mestre, e, por fim, a saída de Woland de Moscovo.
Confusos?
Parece, mas no fundo não é. A
história leva-nos da total descrença à gargalhada. Conseguimos perfeitamente
distinguir as críticas sociais que Bulgakov tenta passar na história. É, sem
dúvida, um retrato da Moscovo da altura. Um retrato confuso… mas não deixa de o
ser. Coloca em causa as ideologias da altura, a proliferação de
pseudo-escritores que nada trazem de novo, a cultura e as crenças de um povo.
A leitura é feita muito facilmente
porque a escrita é fluída. E a história “apanha-nos” de forma tão rápida que é
impossível deixá-lo. O contra é toda aquela parafernália de nomes russos que
com diminutivos ainda fica mais complicado de perceber quem é quem. É
perfeitamente normal ter de, por uma ou outra vez, voltar atrás para perceber a
quem pertence aquela alcunha ou diminutivo.
Haveria muito mais a dizer sobre o
livro e a sua história. Mas alongar-me faria contar passagens que seriam
spoilers e estragar a surpresa de quem o lê. Garanto-vos no entanto que é um
livro muito divertido e que vale sem dúvida a pena.
Deixo-vos apenas esta passagem. Por
muitas vezes que o leia é sempre uma das minhas partes preferidas:
"Tendo
perdido um dos perseguidos, Ivan concentrou a sua atenção no gato e viu aquele
estranho animal aproximar-se do estribo do eléctrico A, que estava na paragem,
empurrar insolentemente uma mulher (...) agarrar-se ao varão e até tentar meter
na mão da condutora (...) uma moeda de dez copeques.
(...)
Nem
a condutora, nem os passageiros pareciam surpreendidos com o essencial: não o
facto de o gato subir para o eléctrico, o que seria apenas meia desgraça, mas o
facto de ele querer pagar o bilhete."
domingo, 12 de janeiro de 2014
Refúgio, de Nora Roberts - Opinião
Refúgio,
de Nora Roberts
Jo
Ellen, fotógrafa de renome, pensava ter fugido à casa chamada Refúgio há muito
tempo. Ali passara os seus anos mais tristes, depois do desaparecimento
inesperado da mãe.
Contudo,
a casa que encima as praias exóticas de uma ilha ao largo da Geórgia continua a
assombrá-la. E agora, mais assustadoras ainda são as fotografias que alguém lhe
começa a enviar: primeiros planos sinistros e puros, culminando no retracto
mais chocante de todos, o da mãe… nua, bela e morta. Jo terá de regressar à
ilha da sua infância e à família que procurou esquecer. Com a ajuda de um
homem, descobrirá toda a verdade sobre o seu trágico passado. Mas o seu Refúgio
pode revelar-se o local mais perigoso de todos…
De vez em quando sabe bem voltar a
Nora Roberts. Uma leitura mais leve, que não nos obriga a pensar, que nos
abstrai dos problemas que nos rodeiam e que, quase sempre, se torna agradável.
Desta vez a autora leva-nos a
conhecer Jo Ellen, uma fotógrafa profissional que tenta superar o abandono da
mãe no passado, que foge de casa para construir uma vida autónoma sem precisar
da ajuda de ninguém. Mas depressa Jo percebe que, como dizia Hemingway, “nenhum
homem é uma ilha”. Depressa percebe que o passado não pode ser simplesmente
apagado e que é a companhia dos outros que nos permite superar os obstáculos e
viver.
Quando começa a receber fotografias
suas, demasiado pessoais, Jo percebe que algo está errado. Mas não imaginava
que no meio delas surgiria uma foto da mãe. A mãe que os abandonara há 20 anos,
sem nunca mais dar notícias, aparecia agora na foto nua e morta. O que seria
real naquela foto que desaparece misteriosamente?
Tudo isto leva Jo a voltar às
origens. E as suas origens estão em Desejo, uma ilha quase privada onde está a
bela casa de família conhecida como Refúgio. 20 anos depois Refúgio é um hotel
familiar dirigido pelas hábeis mãos da prima Kate, e dos irmãos de Jo, Brian e
Lexy.
Mas o passado desembarca com ela na
ilha e quer confrontá-los a todos com o que aconteceu há 20 anos…
A história está bastante bem
construída, como é normal na autora. As descrições de Refúgio e da ilha são fantásticas.
Apetece-nos ir lá passar umas férias. As personagens estão bem delineadas e são
interessantes.
Como sempre, nos livros de Nora
Roberts, há o romance. Neste caso três casais, os três irmãos, que enfrentam os
seus medos de abandono. E depois há o policial. A ânsia de descobrir o
assassino, o perseguidor de Jo. No entanto achei-o bastante fácil de
identificar.
O ponto fraco? O fim. Demasiado rápido
e sem a emoção que se esperava.
Um livro para quem gosta da autora, para quem quer um livro
fácil de ler e que, apesar do tamanho, é bastante rápido.
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Morgana, de Michel Rio - Opinião
Morgana,
de Michel Rio
"Morgana
é o caos, diz Artur a Merlim. Um caos onde toda a finalidade falece, onde o
construtor meticuloso e obstinado, que recebeu por herança este cuidado
imperioso da finalidade, se perde com deleite. Morgana é a obsessão dos
sentidos que mata no pensamento a obsessão do projecto. É o presente absoluto
que rói o frágil futuro. O se espírito é uma devastação que quereria odiar,
adorando cada parcela da sua carne, o menor esboço do seu movimento que é como
uma dança infinita de graça e de morte. E, contudo, vejo bem que a sua carne
não é mais do que a matéria macia e singular do seu espírito, que os dois são
uma uma e a mesma coisa e que a sedução deste invólucro a que nada na natureza
pode comparar-se não é mais que o intérprete harmonioso duma sedução mil vezes
mais poderosa, nascida do fausto calculado duma inteligência sublime e
pervertida."
Morgana é o segundo livro de uma
trilogia iniciada por Merlim (opinião aqui).
Michel Rio com esta trilogia
mostra-nos a visão da mesma história aos olhos de cada personagem: Merlim,
Morgana e Artur.
Esperava que Morgana fosse contada
na primeira pessoa, um pouco como Merlim. Mas embora não o seja consegue
transmitir-nos a sua visão de Merlim, Artur, Camelot, Avalon,..
Contado desde o casamento da mãe,
Igerne, com Uter, o dia em que conhece Merlim e o reconhece como um pai
espiritual, vemos a forma como cresce e aprende com Merlim a sabedoria e a lei
das coisas.
Desde cedo Morgana se revolta com o
mundo que a rodeia visto que não compreende um mundo perecível, um mundo onde o
corpo humano descai para a morte, um mundo que será infindável e superior a ela
e, até, a Merlim e as suas ideias.
Com Merlim ficámos a conhecer uma
Morgana que envolve caos e dor, e que a tudo o custo tenta destruir Artur,
Camelot e as ideias de Merlim.
Mas neste livro descobrimos uma
Morgana que age com medo de um caos que fica depois da sua morte, que age pela
sabedoria e pela prova das suas ideias. Uma Morgana que por muito que lute
contra acaba por agir por amor… o sentimento que mais renega.
Morgana é-nos apresentada como uma
beleza capaz de derreter qualquer coração, com uns olhos verdes que enche de
desejo qualquer um que a veja. O que irá acontecer a Artur que inicia com a
meia-irmã uma relação de incesto que trará o nascimento de Mordred.
Mas para nós, leitores, Morgana é
uma inteligência rara. As suas discussões de filosofia, aos 12 anos, com Merlim
enchem páginas do livro. Discute átomos, heliocentrismo, Aristóteles e corpos
celestes.
E mesmo com todos os acontecimentos
em volta, com todo o caos provocado, simplesmente pelo seu medo de amar, não
conseguimos ter raiva da personagem. Apenas pena. Pena de alguém que só nos
últimos dias de vida percebeu o que era o amor e que não devia ter lutado
contra ele.
Um livro muito bom. Mesmo indo
contra as ideias de Avalon que aprendemos com Marion Zimmer Bradley. Um ponto
de vista que vale a pena ver. E embora seja de uma leitura mais difícil que
Merlim, acaba por ser mais interessante e recompensados. Ou talvez seja eu que
pense assim já que Morgana foi sempre a minha personagem preferida.
Chegaremos a Artur em breve para
terminar esta trilogia de Michel Rio.
Termino com as últimas frases do
livro que achei muito bonitas:
“A
ilha fortaleza fechada, escrínio poderosos cingindo o mausoléu onde repousavam
para sempre Artur e Morgana, lado a lado, enfim reunidos na paz após uma longa
paixão de amor e de ódio, era ela mesma um túmulo colossal onde estavam
enterrados Logres, a Távola Redonda e ele próprio, Merlim, mortos aqui e agora,
por obra da história e das coisas, antes de renascer algures e para sempre,
pela palavra e pela lenda.”
E assim renasceram…
domingo, 5 de janeiro de 2014
Claridade, de Alyson Noël - Opinião
Claridade,
de Alyson Noël
Bem-vindos
ao Aqui & Agora
Riley
Bloom deixou a irmã, Ever, no mundo dos vivos e atravessou a ponte que conduz à
vida depois da morte - um local chamado Aqui, onde o tempo é sempre Agora.
Acompanhada
pelo seu cão, Botão de Ouro, Riley juntou-se aos seus pais e está prestes a
instalar-se numa morte agradável e descontraída quando a chamam para comparecer
perante o Conselho. Aí, revelam-lhe um segredo - a vida depois da morte não é
só uma eternidade de boa vida e Riley tem de trabalhar. Confiam-lhe, nessa
altura, uma tarefa, a de ser uma Apanhadora de Almas, e um professor, Bodhi, um
rapaz estranho que ela não consegue compreender bem.
Este livro chegou-me às mãos graças
ao Bookcrossing. Por estar de férias forçadas em casa acabo por ter mais tempo
para ler e, como tal, este livro foi devorado em pouco mais de um dia.
O termo devorado não se aplica aqui
pela qualidade do livro, convenhamos, mas simplesmente pelo facto de não haver
muito mais para fazer.
Claridade é um livro simples. Um
spin-off da Saga dos Imortais da mesma autora. Já tinha lido Eternidade (podem
reler a opinião aqui), a história de Ever, onde a irmã Riley é mencionada umas
quantas vezes. Agora vemos a versão de Riley, que não sobreviveu ao acidente.
Riley faleceu naquele acidente que
vitimou ainda os pais e Botão de Ouro, a cadela. Mas ao contrário dos pais a
jovem de 12 anos teve mais dificuldade em atravessar a ponte e manteve-se presa
mais tempo na névoa que separa os dois mundos, atenta aos passos da irmã Ever.
Quando finalmente atravessa a ponte
a personagem relata-nos como é o outro mundo e conta-nos o primeiro dia de
escola, sim… também têm escola, onde repara no estranho brilho que alguns
alunos emanam. E onde conhece Bodhi…
Depois de ser chamada ao conselho,
onde a sua vida é analisada, Riley é encarregue de uma missão. Para encontrar o
seu caminho será uma caçadora de almas e é-lhe confiada a primeira tarefa em
Inglaterra, num velho castelo, onde terá de encontrar o famoso Rapaz Luminoso e
convencê-lo a atravessar a ponte. Para isso contará com um guia/professor que,
para sua surpresa, se revela Bodhi, o rapaz a quem tantas vezes chamou
parvalhão.
O livro é bastante pequeno e fácil
de ler. Não é uma obra prima, mas já a série Os Imortais não o é. É apenas umas
páginas que entretêm umas horas sem pensar muito. A história, ou a premissa da
história, até está interessante. Mas depois “esparrama-se” nas opiniões de uma
miúda de 12 anos, numa visão infantil do mundo, e numa linguagem também algo
infantil.
Como digo, é um livro interessante
quando não temos mais nada para ler e queremos não pensar nos problemas durante
algumas horas.
A surpresa? Pasmem… tem continuação….
Não sei bem como, mas tem. Aliás, as primeiras páginas da nova aventura de
Riley aparecem logo no fim do livro numa tentativa de entusiasmar o leitor.
Comigo não foi muito bem sucedido. Mas nunca se sabe.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón - Opinião
A
Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón
Bis
– Leya
Numa
manhã de 1945, um rapaz é conduzido pelo pai a um lugar misterioso oculto no
coração da cidade velha: o Cemitério dos Livros Esquecidos. Aí, Daniel Sempere
encontra um livro maldito, que muda o rumo da sua vida e o arrasta para um
labirinto de intrigas e segredos enterrados na alma obscura de Barcelona.
Juntando
as técnicas do relato de intriga e suspense, o romance histórico e a comédia de
costumes, A Sombra do Vento é sobretudo uma história trágica de amor, cujo eco
se projecta através do tempo. Com uma grande força narrativa, o autor entrelaça
tramas e enigmas ao modo de bonecas russas num inesquecível relato sobre os
segredos do coração e o feitiço dos livros, numa intriga que se mantém até à
última página.
A
Sombra do Vento é um mistério literário passado na Barcelona da primeira metade
do século XX, desde os últimos esplendores do Modernismo até às trevas do
pós-guerra. Um inesquecível relato sobre os segredos do coração e o feitiço dos
livros num crescendo de suspense, que se mantém até à última página.
Este livro foi uma prenda de
aniversário da minha irmã (podem encontra-la no Berço do Mundo). Mas com uma
pilha de livros para ler, mais trabalho, mais actividades extra-curriculares,
estava difícil de arranjar tempo para ele. Mesmo com ela sempre a reiterar que
o livro era muito bom e que estava ansiosa para saber o que eu acharia dele.
A
Sombra do Vento foi o último
livro de 2013. Acabado de ler no dia 30 de Dezembro acabou o ano em beleza. O
que pedir mais do que um livro que fechasse o ano com chave de ouro?
O livro foi mais que uma boa
surpresa. Foi uma descoberta apaixonante. Um fio que nos envolve em cada
palavra, em cada capítulo, em cada personagem que conhecemos. Um fio que nunca
mais nos larga. Nem mesmo quando chegamos ao fim.
Começamos a narrativa a conhecer
Daniel, uma criança ainda, que é levada pelo pai a um lugar fascinante que, de
certeza, todos gostaríamos de conhecer: o Cemitério dos Livros Esquecidos. Aí
Daniel escolhe um livro (ou é escolhido por ele) que o vai transportar numa
aventura fantástica por Barcelona, pela literatura, pela sua própria vida e
condição humana.
Confesso que o autor me fez lembrar
muito o meu autor preferido, Jostein Gaarder. Embora com uma escrita diferente,
com palavras e histórias diferentes, fez-me lembrar O Mundo de Sofia. A forma como Daniel lia o livro de Carax, e ao
mesmo tempo iam surgindo as histórias das personagens que o acompanhavam, a
vida delas. Como um livro dentro de outro, dentro de outro e dentro de outro.
Tal como Gaarder quando nos apresenta Sofia, personagem que Hilde lê, que por
sua vez é uma personagem que nós lemos. Confusos? Pensem nas famosas bonecas
russas, as Matrioshkas. Dentro de cada uma encontramos uma nova personagem, uma
nova história.
As personagens são tão ricas que é difícil
escolher uma. São todas tão fascinantes, com histórias de vida tão ricas que é difícil
dizer que apenas uma ou outra é a principal.
E o cenário? Uma Barcelona em
guerra e pós guerra. Retratos de quem sofreu a tortura e a perseguição, de quem
perdeu familiares ou os viu entrar para a prisão sem nunca mais ter notícias
deles.
O que posso dizer mais? Que
recomendo a leitura a toda a gente, que é um livro 5 estrelas que vale a pena
ler. A linguagem é acessível e a narrativa fluída.
É sem dúvida um autor a manter
debaixo de olho e um livro para ir relendo de quando em quando.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
A Fórmula do Amor - Asa
A Fórmula do Amor, de
Alex Rovira & Francesc Miralles
“Poucos
se atrevem a ver com os seus próprios olhos e a sentir com o seu próprio
coração.” Albert Einstein
Existe
uma força poderosa que pode mudar a nossa concepção do universo e da própria
vida. Albert Einstein descobriu-a através de uma equação matemática.
Estranhamente, decidiu mantê-la secreta.
Mas
a bela e enigmática Sarah e o desencantado Javier estão decididos a desvendar o
último enigma de Einstein. A sua única pista: a filha secreta do génio alemão,
que pode possuir a chave do mistério. De Zurique a Belgrado e Nova Iorque,
Sarah e Javier seguem os passos do cientista mais famoso de todos os tempos, numa
missão perigosa e surpreendente. O que ignoram é que a sua aventura em busca da
Grande Revelação será acima de tudo uma viagem à descoberta das profundezas de
si próprios…
Uma
experiência metafísica e iluminadora, um romance que nos abre as portas de um
mundo invisível e transformador: o nosso coração
Os
Autores:
Álex
Rovira nasceu em Barcelona em 1969 e é escritor, economista, conferencista e
consultor. É um dos escritores espanhóis de maior prestígio internacional,
tendo já vendido mais de 5 milhões de exemplares em todo o mundo.
Francesc
Miralles nasceu em Barcelona em 1968. É licenciado em Filologia Alemã e
jornalista especializado em psicologia e espiritualidade. É autor de uma obra
multifacetada. Na ASA, está já publicado o seu thriller de inspiração histórica
O Quarto Reich.
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